“Missão Manaus”

POR razões que a ciência ainda não identificou, a cidade de Manaus tem sido vítima de um número anormal de contaminação pelo novo coronavírus. Enquanto São Paulo (localizada numa das regiões mais atingidas pela pandemia) chegou ao patamar de 29% de sua população contaminada, Manaus atingiu o nível elevadíssimo de 76%.

Especula-se que um dos motivos é o comportamento da população, que não aderiu às medidas preventivas, como distanciamento social, uso de máscara e higiene sistemática das mãos e roupas. O outro seria a absoluta falta de infraestrutura de saúde no Estado do Amazonas, inclusive na capital.

De fato, durante a primeira onda da pandemia Manaus foi a capital que mais sofreu; nesta segunda onda, idem. Pessoas estão morrendo asfixiadas sem oxigênio hospitalar; os mortos estão sendo armazenados em câmaras frias e sepultados em valas comuns; doentes graves estão sendo transferidos emergencialmente para outros Estados.

Isso tudo era – e é – do pleno conhecimento do governo federal, a quem caberia suprir a a deficiência da infraestrutura amazonense e, no auge da crise manauara, socorrer as vítimas que careciam do básico e acabaram morrendo sem poder, sequer, respirar. Até o governo da Venezuela enxergou isso tudo e ofereceu ajuda.

O governo brasileiro, depois de muita pressão social e até internacional, mandou o ministro da Saúde acompanhado de uma equipe de médicos a Manaus. Os “missionários” lá chegaram e, em vez de levar oxigênio e socorrer os moribundos, receitaram hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina para o tratamento precoce da doença – medicamentos sem eficácia comprovada.

Como o ministro é um militar, supostamente detentor de alguma expertise em matéria de logística, imaginava-se que ele providenciaria rapidamente os cilindros de oxigênio que salvariam muitas vidas. Que nada! Deixou que os manauaras morressem sufocados por uma semana inteira para só depois mandar um avião da FAB levar o socorro.

Além dessa omissão criminosa – que deixa ainda mais clara a necropolítica de Bolsonaro e o seu governo genocida – o presidente limitou-se a dizer que a responsabilidade do que acontece em Manaus é responsabilidade do governo do Estado, uma vez que o STF teria impedido o governo federal de atuar no combate à pandemia.

Não é verdade.

O STF decidiu que a responsabilidade pela questão sanitária é concorrente. Isso mesmo: “concorrente” e não subsidiária, suplementar ou subsequente. Logo, Estados, Municípios e União têm igual responsabilidade (solidária) no combate à pandemia. Se o governador, por omissão, incompetência ou corrupção não cumpre seu dever e não age, o governo federal tem a obrigação política e jurídica de agir.

Essa tragédia de Manaus deve (deveria, deverá) aumentar a possibilidade de impeachment do presidente, porquanto causou comoção social e tem tudo para turbinar o “Fora Bolsonaro” – tanto no campo político-institucional quanto nas ruas.

Pois, todas as mortes ocorridas nesta última semana, entre a ida do ministro a Manaus e a efetiva chegada dos cilindros de oxigênio, são mortes que, concretamente, podem ser atribuídas ao presidente República como crime de homicídio doloso – no mínimo, dolo eventual.

O caso de Manaus é paradigmático. O presidente Bolsonaro não quer combater a pandemia – só o faz sob pressão. Foi assim com a ajuda emergencial, com os equipamentos de proteção individual (EPI) para funcionários do SUS e agora com a vacina – a omissão de Bolsonaro é criminosa; sua “missão” é matar; como ele mesmo disse publicamente, num programa de televisão, vários anos atrás.

A “missão” dos democratas agora é barrar a escalada autoritária (e genocida) desse militar de baixa patente e político de baixo clero que saiu dos porões da ditadura e, por velhacaria e descuido, foi parar no Palácio do Planalto. A questão agora não é apenas política, é sobretudo humanitária.

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A cilada da “frente Ampla”

A MÍDIA burguesa, porta-voz da direita, tem pregado insistentemente a necessidade de uma “frente ampla de oposição” para derrotar o bolsonarismo nas eleições de 2022. Se não for assim, argumentam “ad terrorem”, o risco de reeleição do Bolsonaro será muito grande.

Essa “frente ampla” envolveria um arco de partidos da esquerda, do centro e da direita tradicional, bem como bolsonaristas arrependidos e democratas sem vinculação partidária. Tudo isso para derrotar a extrema-direita e o populismo neoautoritário de Jair Bolsonaro et caterva.

A arquitetura dessa frente é bem idealizada, e aparentemente honesta, bem-intencionada, mas há uma armadilha aí: o que os arquitetos dessa frente querem é eleger alguém da direita em 2022 contando com o apoio e os votos da esquerda. Ou estariam dispostos a entregar a liderança dessa frente (cabeça de chapa) a alguém da esquerda como Lula, Haddad, Boulos etc.? Claro que não.

O que querem na verdade é atrelar a esquerda ao seu projeto conservador e acabar de vez com o protagonismo das lideranças do PT. Sim, o PT é o maior partido de esquerda do Brasil, disputou as últimas 7 eleições presidenciais e ganhou 5 – teria ganho a sexta se não fosse o golpe que tirou Lula da corrida. Não cabe, portanto, uma frente de oposição para derrotar Bolsonaro com o PT e a esquerda assumindo papel de coadjuvante.

Para derrotar Bolsonaro, a direita tradicional não precisa pedir que a esquerda venha lutar contra o projeto autoritário e neoliberal representado pelo capitão. Isso a esquerda já fez em 2018 – votou fechada contra Bolsonaro. E o fará agora em 2022, fará também em 2026, em 2030…2050. Isso é o beabá da esquerda: sua razão de ser é opor-se aos projetos antipopulares e antidemocráticos da extrema-direita.

Não é preciso convocar ou fazer frente para que a esquerda cumpra esse papel. Quem não cumpriu esse papel em 2018, quem não fez a lição de casa, foi a direita, que apostou nas políticas neoliberais de Paulo Guedes e resolveu engolir e pôr o capitão (que a direita sabia ser uma excrescência da ditadura) no Palácio do Planalto.

Não venha agora pedir a ajuda da esquerda para limpar a “burrada” (digo “burrada” pra evitar um palavrão feio!) que fez nas últimas eleições. E quem tem de fazer frente é a direita, sozinha, ou com os partidos de centro, porque a esquerda já é uma “frente natural” contra o bolsonarismo.

A proposta de uma “frente ampla de oposição”, incluindo os partidos de esquerda e sob a liderança da direita, soa a golpe do bilhete premiado.

A única frente que o campo popular democrático deve admitir em 2022 é uma frente genuinamente de esquerda, não apenas com o objetivo de barrar Bolsonaro (que é um objetivo urgente), mas, sim, de vencer as eleições. De assumir o poder e recolocar o país novamente no rumo do desenvolvimento econômico com justiça social e democracia.

Enfim, uma frente de esquerda é a via que resta aos partidos do campo popular realmente democrático. E a direita que tome juízo e faça sua parte, porque a esquerda – não se preocupem! – sabe muito bem o que fazer para destronar Bolsonaro e barrar o bolsonarismo que os partidos da elite levaram ao poder. Não queiram, pois, ensinar o padre-nosso ao vigário!

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O desespero da extrema-direita

RADICAIS (e malucos) da extrema-direita norte-americana invadiram ontem o Capitólio, sede do Congresso dos EUA, para impedir a votação que confirmaria (como confirmou) a vitória de Joe Biden. O dado mais relevante é que o próprio Donald Trump incentivou essa invasão – numa clara tentativa de golpe.

O tempo fechou. Houve correria, bombas de efeito moral, caos e cenas de faroeste (ou James Bond). Seguranças do Congresso empunhavam armas e ameaçavam atirar contra os invasores. Dezenas de pessoas foram presas e uma mulher morreu baleada durante o tumulto.

A democracia dos Estados Unidos, que dizem ser a maior do mundo, ainda não havia conhecido uma tentativa de insurreição como essa, ainda mais estimulada por um presidente da República. O país de Tio Sam experimentou seus dias de República das Bananas, coisa que só acontecia, segundo os próprios norte-americanas, no quintal deles, a América Latina.

Que o presidente Trump é um representante burlesco da “nova direta” no mundo todo mundo já sabia. O que não se sabia é que ele fosse capaz de agir como um caudilho estúpido, desesperado com a derrota nas urnas, manchando a democracia liberal representativa que sempre foi o orgulho dos estadunidenses.

Se essa balbúrdia toda pode ocorrer no parlamento da – vá lá! – “maior democracia liberal do mundo”, pode ocorrer também no quintal dessa democracia. E se Jair Bolsonaro tem como ícone o amalucado Donald Trump, pode repetir aqui as diabruras de seu ídolo. O capitão já anda pondo em dúvida as urnas eletrônicas e sinalizando que não aceita derrota, tal como o paspalhão do Norte.

Os brasileiros que abram os olhos! Antes mesmo de assumir o governo, Jair Bolsonaro já falava em fechar o Congresso e o STF. Uma vez eleito, creio que só não deu asas a esse delírio autoritário porque as Forças Armadas não embarcaram na sua aventura irresponsável; mas estivemos perto…

Essa invasão estapafúrdia do Congresso norte-americano constitui mais uma chaga a combalir a já combalida democracia liberal capitalista. Mas é também um sinal evidente de que o sucesso da extrema-direita, que vem se levantando desde os anos 90, está em processo de evaporação.

Outra evidência dessa evaporação da extrema-direita foi a eleição na Georgia, um estado historicamente racista que, no mesmo dia da invasão do Capitólio, elegeu um negro para o Senado, Raphael Warnock. Foi uma derrota histórica dos supremacistas brancos para os democratas, consolidando o racha dos falcons republicanos e da direita norte-americana.

Donald Trump era o seu mais vistoso (e excêntrico) representante. Trump perdeu as eleições parlamentares há dois anos e agora na eleição presidencial foi derrotado pelo modesto Joe Biden. Não há dúvida de que a extrema direita perdeu seu símbolo mais precioso.

Após a derrota, Trump contestou o resultado das eleições, disse que não aceitaria sair da Casa Branca, pediu recontagem de votos, pressionou autoridades do comitê eleitoral para alterar os números da votação e, por fim, insuflou a patuleia que o apoia a invadir o Congresso – esperneou do jeito que deu, mas não deu – deve sair com o rabinho entre as pernas.

A chamada “nova direta” ou new right começou a se erguer no mundo com advento da internet, quando surgiram os institutos liberais e as think thanks disseminando a ideologia ultraliberal (ou libertarianismo) de extrema-direita. Trata-se de uma estratégia financiada por milionários como Steve Bannon, Robert Mercer e Charles Koch. No Brasil, o mais caricato ideólogo desse movimento é o senhor Olavo de Carvalho – um bufão: misto de jornalista, astrólogo e filósofo.

O que querem esses extremistas neorreacionários – nos Estados Unidos e no mundo -, é acabar com a democracia e com a soberania popular. O sonho deles é substituir o Estado pelo Mercado; substituir a política pelo controle das grandes organizações econômicas; trocar os políticos pelos CEOs, gestores ou controladores – os famosos management.

Pois bem. O eleitorado norte-americano – que não costuma ser lá essas coisas em tema de consciência política – acordou: mandou embora da Casa Branca o fanfarrão alaranjado; esperemos que o eleitorado brasileiro também acorde, e mande pra casa o farofento capitão sem tropa, sem farda e sem quartel.

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Meia justiça

ONTEM, a Justiça britânica negou o pedido de extradição do ativista Julian Assange, feito pelos Estados Unidos. Assange, fundador do WikiLeaks, é acusado de violar as leis norte-americanas por ter divulgado em 2010 documentos que comprovavam as atrocidades cometidas pelos ianques no Afeganistão e no Iraque.

De acordo com esses documentos então divulgados pelo WikiLeaks, os americanos atiravam contra as populações civis daqueles países, matando homens, mulheres e crianças como se matam moscas. Foram crimes cometidos contra a humanidade por um Estado delinquente que violou a Convenção de Genebra e todas as leis internacionais de proteção aos civis em tempos de guerra.

A divulgação dessa barbárie deveria render a Julian Assange um prêmio Nobel da Paz. No entanto, o ativista do WikiLeaks está preso na Inglaterra tão somente por ter exercitado a liberdade de imprensa e o direito de informação.

Os Estados Unidos querem silenciá-lo para sempre. Pediram sua extradição para impor-lhe a morte civil no cárcere. A Justiça do Reino Unido, porém, negou a extradição por considerar que o estado de saúde do ativista poderia se agravar nas conhecidas masmorras norte-americanas.

Foi pouco. O correto (e justo) seria não apenas negar a extradição, mas conceder a liberdade a Julian Assange para viver em seu país (Austrália), ou asilado onde bem entender. Ele não cometeu crime nenhum. Ao contrário, denunciou os crimes cometidos pela maior potência bélica do mundo; prestou um serviço à humanidade.

O curioso é que a imprensa ocidental, submetida ao poder econômico e bélico dos Estados Unidos, não levanta um dedo para defender o jornalista preso e silenciado injustamente. Essa imprensa, inclusive a norte-americana, que estufa o peito para defender a liberdade de expressão, de imprensa e de informação, é cínica e covarde.

Assim também a brasileira, que esconde o quanto pode o caso Julian Assange. Agora, diante da decisão britânica de não conceder a extradição do jornalista, a Associação Brasileira de Imprensa conclamou nossos órgãos de comunicação de massa a defender a liberdade de Julian. Que nada! Silêncio.

Diz a ABI que, no caso, estão em jogo não apenas a liberdade do jornalista, mas a própria democracia, a liberdade de imprensa e o trabalho jornalístico. Nem assim. Nossos órgãos de comunicação continuam calados. A mídia brasileira é prepotente, não é livre nem nutre o menor apreço pela democracia – a não ser por uma democracia de fachada, retórica e conveniente.

Quem tem que defender a liberdade de imprensa no Brasil é o povo. Para isso, é necessário democratizar (desconcentrar) a imprensa nativa – despudoradamente concentrada nas mãos de uns poucos barões. Sem imprensa plural e livre não haverá democracia!

Mas, quando se fala em “democratização da mídia”, os seus barões reagem com o cinismo habitual, dizendo que isso é “controle”, “censura” e violação à liberdade de imprensa. Só que, quando é pra defender a liberdade de imprensa em face de um país poderoso e delinquente, como no caso Julian Assange, os barões da mídia desaparecem como os ratos – sorrateiramente.

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Cadeia e impeachment

NEM bem começou o ano novo e Jair Bolsonaro já está nas manchetes dos jornais. Mas não é por nenhum grande feito do presidente, não; é por um malfeito. Logo no dia 1º saltou no mar em Praia Grande-SP, nadou até onde estavam os banhistas, estimulou aglomeração e voltou para o seu barco, sem quê nem por quê.

É muito óbvio que o presidente não quer outra coisa senão notoriedade. Está de olho na reeleição e precisa manter sua tropa atiçada. Aproveita que as pessoas estão cansadas da pandemia e explora o negacionismo de uma parcela da sociedade que, por uma razão ou por outra, resolveu “cancelar” o novo coronavírus por conta própria.

Sabemos que Bolsonaro é um grosseirão irresponsável. Ignora a progressão da doença (com segunda onda e surgimento de novas cepas do vírus); desdenha as recomendações sanitárias (uso de máscara e distanciamento); não toma as medidas que lhe cabem (campanha de prevenção, socorro aos necessitados e plano de vacinação) e ainda por cima incentiva comportamentos que ampliam a pandemia.

O que o presidente fez em Praia Grande – e o fez tantas vezes – é crime. Está previsto no art. 268 do Código Penal que pune o comportamento daquele que infringe determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa.

Sendo crime comum – e um crime que atenta contra toda a sociedade – constitui naturalmente um procedimento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo de presidente da República, e constitui-se, pois, num crime de responsabilidade. Trata-se, portanto, de dois crimes que dão cadeia e impeachment.

Pois bem. Analisados os marcos legais de mais essa conduta delituosa do presidente, verifica-se também que sua atitude, leviana e inconsequente, tem qualquer coisa de provocação gratuita, insolência desnecessária.

Não se tratou apenas de uma conduta irresponsável, antipedagógica. Além de crime, foi uma espécie de desaforo, afronta dispensável – ainda mais em se tratando de um presidente da República. Bolsonaro é atrevido e provocador, aliás, como o foi durante toda sua vida pública – no Exército e no Congresso.

Os golpistas estão procurando até hoje o crime da Dilma Rousseff, no entanto, fecham os olhos para o rosário de crimes do senhor Jair Bolsonaro.

Esse filistino que puseram na presidência da República não tem a menor condição de presidir – que dirá liderar – o país. Em dois anos de (des)governo os indicadores são de estarrecer, quer seja na economia, na área social, na educação, na saúde, na segurança pública, na proteção ambiental ou na política externa.

A inaptidão de Jair Bolsonaro para o cargo que ocupa não é perceptível apenas por meio dos indicadores de seu desempenho desastroso. O perfil pessoal do capitão também não ajuda: em apenas dois anos brigou com o Congresso, brigou com o STF, brigou com governadores e prefeitos, brigou com seu próprio partido, brigou com as universidades públicas, brigou com a mídia, brigou com a comunidade internacional… O cara é um chibante desvairado.

A julgar pela rentrée do capitão logo no primeiro dia do ano, podemos esperar muita estrepolia pela frente. Na eleição de 2018, depois que a elite brasileira resolveu pôr fogo na democracia para derrubar um governo popular, estávamos numa encruzilhada – tomamos o caminho errado e agora estamos a pagar o preço, inclusive com vidas.

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Outro ano perdido

QUANDO Bolsonaro assumiu o governo chegou dizendo que iria acabar com a corrupção, metralhar os esquerdistas, liberar armas para a população se defender, mudar o “sistema” (seja lá o que isso significa!), fechar Congresso e o STF, para instalar o que ele chamava de “a nova política”, e que, enfim, iria dar um jeito no Brasil. Até acenar com autogolpe, ele acenou. Pura bazófia.

O capitão chegou com dois superministros a tiracolo: o Paulo Guedes, ministro da economia, e o Sérgio Moro, ministro da Justiça. O primeiro era o sabe-tudo que até ganhou o apelido de Posto Ipiranga, ou outro, era o pode-tudo, que tinha a missão de continuar “limpando o Brasil”.

Hoje, fica claro que o ministro Paulo Guedes não sabe nada, não fez nada e não há sinais de que vá fazer alguma coisa. Por isso, virou um miniministro e sumiu. A economia vai de mal a pior, com crescimento zero, desemprego e inflação, o governo não tem plano nenhum para reerguê-la, e o tal saberete do Posto Ipiranga parece não saber nem onde põe nariz.

O Moro, em vez de “limpar o Brasil”, limpou foi os trapos; brigou com o capitão e pulou fora do barco, foi trabalhar na iniciativa privada como diretor de uma empresa especializada em atender empresas corruptas. Vê se pode!

O presidente, por sua vez, anda mais perdido que cachorro em dia de mudança. Não tem partido, não tem condições de articular uma base parlamentar no Congresso, entregou-se ao que há de mais fisiológico e corrupto no parlamento (o chamado Centrão), e só consegue mesmo é continuar a dizer suas baboseiras de sempre.

Enquanto o país espera por uma reforma bancária, fiscal e política, Jair Bolsonaro vai inaugurar o relógio do Ceasa e anuncia que pretende articular no Congresso a aprovação da “excludente de ilicitude”. Não há prova mais evidente de que o capitão está completamente dissociado da realidade.

Na pandemia então, nem se fala. Bolsonaro não fez absolutamente nada para combatê-la e fez muito para agravá-la: negou a gravidade da doença, incentivou aglomerações, contaminou-se e saiu contaminando pessoas, não tem plano de vacinação para o país e até desdenha a vacina.

Aliás, no início da pandemia Bolsonaro dizia-se contra o lockdown para salvar a economia; agora, que a vacina está aí e pode acelerar o processo de retomada das atividades econômicas, ele é contra a vacina. Pode haver uma evidência maior de sua estupidez? Ou é picaretagem mesmo?

Fato é que já estamos no meio do mandato e até agora, nada. Não há nada que este governo tenha feito – no campo político, econômico ou social – que mereça destaque. Só patacoada. Liberação de arma, redução de imposto sobre importação de arma, aumento de salário de militares, flexibilização das normas de segurança no trânsito, troca-troca de ministros da Saúde em plena pandemia… uma lástima!

O ano de 2020 foi engolido pelo vírus e isso disfarçou um pouco a incompetência e o fracasso de Bolsonaro – mas a pandemia realçou sua estupidez. Para 2021 não devemos esperar nada muito diferente. Só estagnação e fanfarronice. O país continuará parado e Bolsonaro, parado também, olhando apenas para a reeleição em 2022. Mais patacoada e mais dois anos perdidos…

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Bolsonaro perdeu mais uma

AS ELEIÇÕES municipais de 2020 não corresponderam ao exato desejo de Bolsonaro. Todo mundo que ele apoiou, perdeu. E quem lançou mão do oportunismo rastaquera de usar o nome de Bolsonaro nas urnas, também se deu mal; de setenta candidatos que usaram esse estratagema velhaco, apenas um se elegeu.

Agora, na eleição tardia de Macapá – adiada por causa da crise elétrica no estado – o candidato de Bolsonaro, mais votado no primeiro turno, acabou perdendo também. Anteontem, na véspera da votação, o presidente gravou uma mensagem apoiando Josiel Alcolumbre, no dia seguinte esse candidato tomou a virada e saiu derrotado.

O fato de Bolsonaro não ter sido um bom cabo eleitoral em todo o país é, sim, um fato notável. Não quer dizer que ele vá perder a eleição de 2022. Não, nada disso. Quer dizer apenas que o capitão não está mais empolgando o eleitorado de uma maneira geral, e isso significa (como não?) perda de prestígio ou força política.

Apesar disso, é certo que Bolsonaro tem lá seus 20% a 30% de intenção de voto e praticamente já está no segundo turno das eleições de 2022. Esse bolsonarismo que o apoia de maneira incondicional existe mesmo antes de Bolsonaro – é a faixa ultraconservadora da sociedade brasileira que estava no armário e ganhou voz com a inesperada ascensão do “mito”.

Só que esses 20% a 30% de votos não garantem a eleição de Bolsonaro no segundo turno. O mais provável é que ele vença na primeira mas perca na segunda rodada de votação. É precisamente essa a mensagem das urnas em 2020, que a eleição no Amapá acaba de reforçar.

Claro que até outubro de 2022 tem muita água pra rolar por baixo da ponte. Mas parece que essa água não está rolando na direção do moinho de Bolsonaro. Os fracassos político e administrativo de seu governo – e o fiasco no enfrentamento da pandemia – continuarão a desgastar a figura do capitão.

O eleitorado bolsonarista (“de carteirinha”) continuará firme, vai com o capitão até os cafundós do judas, e o colocará no segundo turno. Mas, na segunda rodada, sem Lava Jato, sem Rede Globo e com a burguesia rachada, será muito difícil Bolsonaro derrotar de novo a direita tradicional, a esquerda e o centro.

As eleições municipais de 2020 indicam claramente que o capitão, fora de seu reduto ultraconservador, vai ter dificuldades. E o mais provável é que o Brasil se livrará de Bolsonaro do mesmo jeito que os EUA se livraram de Trump – numa eleição apertada, mas desfavorável à extrema-direita.

Claro que tudo isso são conjecturas e as urnas é que, no final das contas, dirão a última palavra. Mas a primeira palavra já foi dita pelas urnas em 2020; se Bolsonaro não foi um bom cabo eleitoral, consequentemente não será também um bom candidato. Continua sendo um candidato forte, é verdade, mas não o bastante para vencer a direita e a esquerda em dois turnos.

São palpites. Porém, os cenários eleitoral, político, econômico, sanitário e social indicam – como nos EUA, em que Trump foi mal na pandemia e há dois anos também perdeu as eleições para a Câmara, numa evidência de que vinha perdendo força – que em 2022 teremos alternância no Planalto. A ver…

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Economia de ponta-cabeça

QUE Jair Bolsonaro não tinha nenhum programa de governo, portanto, nenhum plano econômico para o país, todo mundo já sabia. E sabíamos também que sua “equipe” econômica se resumia ao velho “Posto Ipiranga” e seu frentista Paulo Guedes, que tinha na cabeça um plano só, privatizar tudo – nada mais.

A economia brasileira vinha definhando desde o golpe de 2016 e emborcou de vez com dois anos de Temer e mais dois de Bolsonaro. O crescimento passou a ser zero, o desemprego triplicou, a carestia está de volta e as contas do governo viraram uma bagunça – estão por assim dizer de ponta-cabeça.

Apenas dois exemplos (tem muitos mais) bastam para ilustrar o atoleiro em que nos metemos, afundando dia a dia.

Derrubaram os governos petistas porque, segundo os golpistas, era um governo perdulário, que gastava mais do que arrecadava e, com isso, vinha “quebrando” a economia e afundando o país. Isso era o que diziam – e dizem ainda – os golpistas e os iludidos com o golpe.

Pois bem, vamos ver. Quando começou a “guerra” para derrubar a Dilma, logo após sua reeleição em 2014, as contas do governo estavam equilibradas, ou seja, não havia déficit primário, na verdade havia superávit. Em outubro de 2014 (época da eleição) o Brasil tinha um superávit acumulado de 4,1 bilhões de reais.

Em outubro de 2020, sob Bolsonaro, o Brasil já não tinha mais superávit; tinha, isto sim, um déficit acumulado estrondoso de 632 bilhões de reais só nos últimos doze meses. É isso mesmo, acreditem se quiserem: quando resolveram derrubar a Dilma tínhamos um superávit primário (pequeno, é verdade) de 4 bilhões; depois do golpe o que temos é um déficit de 632 bilhões de reais.

A mídia golpista não pode contar essa história porque ajudou a derrubar o governo do PT (e seus programas sociais de transferência de renda) alegando justamente que o governo petista gastava mais do que arrecadava, iria quebrar o país.

Outro exemplo da bagunça. Como éramos exportadores de commodities – somos o maior produtor de soja do mundo e grande produtor de milho, arroz e feijão – diziam que o governo Lula foi um sucesso, e que a vida do povo melhorou, só por causa do chamado “boom das commodities” – e não por força das políticas do ex-presidente.

Pois bem, vejam o que aconteceu depois do golpe. Continuamos sendo grandes exportadores de commodities e exportamos ainda mais, porque o dólar subiu e o agronegócio está faturando lá fora com suas exportações. No entanto, a vida do povo piorou e estamos (acreditem se quiserem!) IMPORTANDO óleo de soja, arroz e feijão porque o governo atual não regulou estoque e o povão está passando fome.

Resumindo: imediatamente antes do golpe tínhamos superávit primário de 4 bilhões de reais; depois do golpe regredimos para 632 bilhões de déficit; antes do golpe éramos exportadores de commodities e a mesa do brasileiro andava farta; depois do golpe viramos importadores das mesmas commodities que exportamos e a fome voltou. Então, quem é que pôs a economia de cabeça pra baixo?

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Vacina contra a estupidez

HÁ quase um ano o mundo espera ansiosamente por uma vacina que acabe de vez com essa agonia provocada pelo coronavírus e nos devolva logo ao nosso “antigo normal”. Pois bem, no prazo recorde de oito meses a ciência e os cientistas cumpriram seu papel: apresentaram ao mundo 4 vacinas testadas e aprovadas para uso em massa, com eficácia entre 62% e 95% – um prodígio.

Como a vacina foi descoberta muito rapidamente, surgiu a primeira desconfiança: será que é uma vacina bem-feita, será que não foi feita às pressas, de qualquer jeito? Na verdade a tecnologia e as plataformas da nova vacina vêm sendo desenvolvidas há mais de 10 anos; estava tudo pronto – foi só colocar fragmentos do novo vírus nas plataformas, fazer os testes e a vacina apareceu.

Uma vez que algumas vacinas, como a da Pfizer (EUA) e a Moderna (EUA) por exemplo, utilizam trechos sintéticos das moléculas do RNA-mensageiro, começaram a dizer que a nova vacina contra a covid-19 poderia modificar o DNA das pessoas, provocando sabe-se lá quais alterações genéticas. Maluquice: o RNA é um mensageiro que sai da célula e nunca mais retorna; de mais a mais, o DNA fica no núcleo das células onde o RNA não consegue entrar.

O movimento antivacina entrou em ação e espalhou mundo afora que a nova vacina contra a covid-19 vai implantar um microchip no cérebro das pessoas, para que elas sejam rastreadas e controladas. Espalhou ainda que era o Bill Gates quem estava por trás desse plano diabólico. Sem comentário!

No Brasil, por razões ideológicas alimentadas inclusive pelo presidente da República e seu séquito, corre o boato de que a vacina chinesa não é confiável; não se sabe bem por quê, mas há uma desconfiança (talvez pelo fato de o novo vírus ter sido descoberto na China). Outra besteira: a China produz o insumo da CoronaVac chinesa, mas produz também o insumo da vacina desenvolvida pela Oxford-AstraZeneca no Reino Unido; aliás, a China é a maior produtora do mundo em insumos para medicamentos.

Além dessas estupidezes, há outras que são as jabuticabas brasileiras: o governo federal ainda não adquiriu os insumos necessários para a vacinação (seringas, agulhas, material gráfico etc.), e, pior, não elaborou um plano nacional de vacinação – talvez porque a covid-19 seja só uma “gripezinha”.

Muitos brasileiros estão achando que é só vacinar e pronto: já poderemos abolir as máscaras, o álcool-gel e o distanciamento social. Ledíssimo engano. Com sorte, e se o governo brasileiro não atrapalhar, teremos menos da metade da população vacinada só no final do ano que vem (2021) – portanto, até lá, máscara, álcool em gel e distanciamento. E, pelo andar da carruagem, 2022 também será assim.

É importante lembrar que a vacina imuniza a pessoa contra a covid-19, ou seja, impede que a doença se instale e desenvolva seus sintomas, mas não se sabe se ela (a vacina) neutraliza o vírus, logo, pode ser que o novo coronavírus tenha vindo pra ficar, e aí, gente, se o caboclo não estiver devidamente vacinado pode topar com a vírus a qualquer momento, em qualquer esquina.

(Mesmo os vacinados terão de continuar com o uso de máscaras, álcool-gel e distanciamento, para não transmitir o vírus às demais pessoas, para não se reinfectar e não contrair vírus de novas cepas. Esse novo coronavírus é infernal!)

Portanto, é preciso convencer a população a se vacinar. O governo federal não tem feito sua parte no item do convencimento, prefere brigar com governadores em lugar de tomar a frente e desenvolver campanha agressiva de vacinação, pois o instituto Datafolha publicou pesquisa na semana passada dizendo que cresce o número de brasileiros que não querem tomar vacina (22%); o próprio presidente da República disse que não vai tomar vacina nenhuma. Mais maluquice.

As vacinas são o que há de mais sofisticado na medicina: a medicina surgiu para curar doenças e agora consegue até evitá-las. Mas há quem não enxergue isso e ainda trabalhe contra. Quem sabe se um dia a ciência, tão avançada que é, não conseguirá descobrir uma vacina para a estupidez humana!

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As eleições e o PT

NESTAS eleições municipais de 2020, pela primeira vez em 35 anos, o PT não ganhou em nenhuma capital brasileira. O número de prefeituras petistas encolheu no país todo (179 municípios); elegeu prefeitos em poucas cidades de porte médio ou grande: Diadema, Contagem e Juiz de Fora. Tal desempenho não foi exatamente animador.

No país todo, o PT recebeu em torno de 7 milhões de votos – praticamente a mesma votação de 2016, logo após o golpe-impeachment contra Dilma Rousseff. Isso significa que o antipetismo continua forte; o partido ainda está pagando pelo estigma da corrupção que lhe impuseram a grande mídia e setores da Justiça durante os processos do “mensalão” e “petrolão”; cenário difícil.

Neste ano em que completou 40 anos de existência, o desempenho eleitoral do Partido dos Trabalhadores revela que o partido “quarentão” precisa rediscutir sua identidade, suas estratégias e seu futuro.

Nesse sentido, pretendo realçar três aspectos.

1. A frase que mais se ouviu nesta eleição é que o PT precisa “voltar para suas bases”. Precisa. Mas não é tão simples assim. Começa que as bases já não são mais as mesmas, não há mais o tradicional “chão de fábrica” nem pobres mobilizados na periferia. Então, não é só “voltar para as bases”; é preciso identificar quais são e como estão essas bases.

Porque a classe trabalhadora passou por muitas mudanças nestes últimos anos: trabalhador não é apenas o celetista com carteira assinada. Temos hoje uma grande massa de trabalhadores na informalidade; no trabalho autônomo; na “pejotização” e no “uberismo” (“empreendedores”); temos um exército crescente de desempregados.

Há ainda a “nova classe média”, que já se viu representada pelo PT mas hoje está cooptada pelo pensamento conservador à direita; há também uma massa considerável de trabalhadores e pobres sob a influência político-ideológica das igrejas neopentecostais, atraídos pelo campo conservador fundamentalista.

Em resumo, as bases a que o PT deve retornar não são mais as mesmas; precisam ser identificadas, compreendidas e trabalhadas de acordo com a realidade, as demandas e perspectivas atuais.

2. O PT precisa reorganizar-se internamente. Trata-se de um “partido de tendências”, com várias correntes internas e pequenas diferenças ideológicas entre elas. A existência dessas correntes não é algo bom nem mau – é simplesmente natural. Creio que sejam um sinal de pluralismo de pensamento dentro do PT, democracia e grande efervescência intelectual e cultura política.

Mas é preciso cuidar para que essas correntes não se atraquem em disputas internas que podem minar as energias necessárias para fazer a luta lá fora. É preciso mais planejamento (político e eleitoral), mais debate e menos embate, para evitar os riscos da “tribalização” e da implosão; as tendências têm de ser a força do partido.

Se o PT fala tanto em rever-se e buscar a união “das esquerdas”, numa frente ampla, é natural que comece por fazer a lição de casa, unindo-se por dentro. As diferenças de pensamento entre as correntes devem ficar no campo das ideias, e não da disputa de poder interno. Repito: a disputa de poder é lá fora; e lá, nunca prevalece a orientação político-ideológica desta ou daquela tendência: o programa do PT, o discurso e os objetivos são os mesmos.

Enfim, acredito que será necessário olhar para fora e qualificar cada vez mais as análises que o partido faz dos cenários políticos e de toda a conjuntura externa, a fim de que possa, internamente, debater sua nova identidade, seus papéis e, sobretudo, estratégias de intervenção no contexto externo: político, social, cultural, ambiental e econômico do país.

3. O projeto de país (e de cidades) que o PT defende, popular e democrático, é genuinamente de esquerda. No fundo, constitui-se de um conjunto de políticas públicas bem-sucedidas, implementadas nos últimos anos pelos governos petistas (em todos os níveis), e agora sintetizadas pelo Diretório Nacional no “Plano de Reconstrução do País”, recentemente lançado.

Creio, porém, que, com o plano na mão, os desafios são dois. Primeiro, encontrar a linguagem capaz de “traduzir” esse plano aos trabalhadores, vulneráveis e minorias discriminadas ou oprimidas. É preciso produzir, como se diz, uma narrativa específica para que o partido consiga se fazer entender e tenha um discurso realmente distinto do de seus adversários.

Porque os programas de governo, pelo menos no plano municipal, e a retórica produzida a partir de tais programas, tanto à direita quanto à esquerda, andaram muito semelhantes – ficou a impressão de que o grande público eleitor teve dificuldades para diferenciá-los.

Feito isso, traduzido em miúdos os programas, é preciso convencer trabalhadores, vulneráveis, minorias e oprimidos (pobres, negros, gays, mulheres etc.) que o PT realmente lhes dá espaço e os representa no campo político. Pois o discurso genérico de que o PT defende a classe trabalhadora e os pobres, que o partido é uma alternativa popular contra o elitismo da direita, nestas eleições não pegou; era possível ver isso nas ruas e no contato corpo a corpo com o eleitorado.

E creio que aqui esteja a chave da questão: encontrar não apenas um bom programa de governo (que o PT sempre teve) e uma linguagem que o traduza, mas, sim, descobrir as estratégias, práticas, sujeitos políticos legítimos e os instrumentos adequados para convencer as classes médias e populares de que o Partido dos Trabalhadores realmente é um dos portadores do desafio de transformar e democratizar a sociedade. É isso, parece-me, que o PT, num esforço coletivo, precisa debater e descobrir – urgentemente.

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