A derrota do Brasil

O BRASIL perdeu a Copa América para a Argentina, em casa. Bastou um mísero golzinho para deitar por terra a esperança canarinho de erguer a taça e mostrar que ainda somos os melhores do continente. Não deu. Não somos. Perdemos dentro e fora de campo – estamos longe de ser e estarmos melhores.

O torneio que o Brasil perdeu no Maracanã foi jogado contra todas as recomendações sanitárias em tempos de pandemia. A seleção brasileira jogou, portanto, a favor do vírus e contra os brasileiros. Por isso, merecia ter perdido, como perdeu, exatamente para o país que se recusou a sediar a Copa América preservando a saúde de seu povo. Mandou bem a Argentina!

Num contexto assim, a vitória do Brasil em campo seria uma vitória do vírus e daqueles que se empenham em propagá-lo, promovendo aglomerações, deixando de comprar vacinas e desprezando a ciência, a vida e as pessoas.

Derrotar o Brasil – nesse contexto, volto a dizer – é derrotar aqueles que jogam a favor do vírus e da morte. É derrotar também o neofascismo que hoje nos (des)governa. O presidente da República e seus acólitos, que nada fizeram contra a pandemia, seriam os grandes beneficiados em caso de vitória da seleção brasileira no Maracanã – estavam ávidos, esperando o momento de saírem na foto ao lado dos heróis campeões.

E esses heróis também não fizeram por merecer a vitória.

O líder deles, o mais celebrado de todos, é um apoiador explícito do governo genocida que nada faz diante da morte de 530 mil brasileiros. É um garoto narcisista que entende tudo de bola, mas não entende nada do circula ao redor dela; não entende sequer o seu papel de ídolo, que muito poderia fazer para ajudar na conscientização do povo brasileiro neste momento político e sanitário extremamente conturbado, ameaçador.

Os demais jogadores, que também aceitaram jogar uma Copa absurda num momento de restrições sanitárias que a desaconselhavam, são os “isentões”. Não apoiam explicitamente aqueles que levam o Brasil a um morticínio sem precedentes na sua história, mas se calam e cumprem passivamente o papel que os poderosos lhes atribui. O silêncio muitas vezes é conivência, cumplicidade.

Até o símbolo da nossa seleção canarinho, de tantas glórias, a vitoriosa camisa verde-amarela, foi surrupiado pela extrema-direita neofascista que chegou ao poder e hoje desgoverna o país. Imaginem, até mesmo a ideia de pátria (pela qual a seleção jogava e lutava) está sendo manipulada justamente pelos vendilhões da pátria que se encastelaram no Palácio do Planalto e adjacências.

Em suma, a derrota do Brasil no Maracanã foi a derrota disso tudo que hoje ameaça os brasileiros. A Argentina ganhou dentro e fora de campo. Dentro, venceu por um placar modesto, o magro 1 a 0; fora das quatro linhas foi uma goleada, desistiu de acolher a Copa América em seu território para preservar seu povo e ainda lhe deu a taça – com isso, enfiou um novo 7 a 1 no Brasil. Vexame!

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