Cadê o grande erro da Dilma?

             ATÉ as folhas e as mídias da direita concordam que a política econômica do ex-presidente Lula foi um sucesso. Pudera, o crescimento do PIB, que saltou de 500 bilhões em 2003 para dois trilhões e 400 bilhões de dólares em 2013, e o aumento do estoque de divisas, que fez as reservas internacionais saltarem de 50 bilhões em 2003 para 380 bilhões de dólares em 2014, são números que tiraram o Brasil da posição de 13ª economia do mundo para o posto de 6ª economia mundial.

              O mundo inteiro (e até a direita brasileira mais esclarecida) reconhecem isso. Tanto que, por ocasião da última campanha eleitoral, a direita desesperada andou ensaiando cinicamente um volta-Lula para desmoralizar a política econômica da presidenta Dilma – e tudo com o único objetivo de tirar o Partido dos Trabalhadores do Palácio do Planalto. Ou alguém acredita que a direita no Brasil queria mesmo a volta de Lula?

                  Dizem que o presidente Lula fez todo esse sucesso no campo econômico porque manteve a ortodoxia do tal “tripé do neoliberalismo”, isto é, 1) controle da inflação dentro da meta, 2) manutenção do superávit primário e 3) câmbio flutuante. É certo que o governo Lula fez tudo isso, mas fez muito mais, pois incentivou o consumo de massa na base da pirâmide social, mediante concessão de crédito popular e aumento real do salário mínimo, com o que aqueceu assustadoramente a economia interna, e ainda por cima contou com ventos favoráveis no plano internacional.

                  Mas agora, vê-se todo santo dia na mídia empresarial (TV Globo, jornal O Globo, jornal Folha de S. Paulo, jornal O Estado de S. Paulo, revista Época, revista Veja, revista Istoé e quejandos) que a política econômica da presidenta Dilma, ao contrário da política de Lula, foi um verdadeiro desastre, um fracasso que fez mergulhar o país no caos, acabando com qualquer esperança ou otimismo sobre o futuro econômico do Brasil. Quem lê essas mídias tem a impressão de que o Brasil afundou de vez!

              Como leigo, eu pergunto: o que é que a presidenta Dilma fez de tão errado para afundar a economia brasileira, se sua política econômica foi exatamente a mesma política executada pelo ex-presidente Lula? Confesso que ainda não encontrei na análise dos “entendidos” nenhuma resposta convincente, nenhuma explicação séria para essa pergunta, a não ser simples clichês e opiniões puramente subjetivas.

            É isso mesmo, só leio e ouço observações subjetivistas tais como: a presidenta Dilma é muito interventora, a presidenta Dilma é centralizadora demais, a presidenta Dilma é uma “gerentona” que não sabe dialogar, a presidenta Dilma gerou o mau humor do setor produtivo, a presidenta Dilma provocou a desconfiança dos agentes econômicos, a presidenta Dilma fez isto, fez aquilo, fez aquilo outro, fez não sei mais o quê – tudo coisa que só Freud explica.

              Essa clicheria tá cansativa e tá muito comprida! Explicações técnicas, científicas ou que fossem faticamente fundamentadas, para o tal “descalabro” da economia no governo de Dilma Rousseff, ou seja, explicações que transcendessem as simples observações genéricas, superficiais e puramente subjetivistas, eu confesso que ainda não vi, nem li na mídia empresarial, nem nas análises da maioria dos “entendidos” que servem essa mídia com uma vocação serviçal fora do comum.

          Com toda a humildade dos leigos, eu agradeceria muito se alguém apontasse com base em fatos e números, concretamente, sem os subjetivismos e a vulgaridade daquela clicheria enjoativa, em que ponto exato a política econômica da presidenta Dilma foi tão diferente da política econômica do presidente Lula. Não precisava muito. Era só dizer qual foi o ponto de inflexão. Qual foi a real diferença entre ambas as políticas – mas sem apelar para o discurso panfletário ou para o subjetivismo econômico como fez e faz a mídia empresarial que já não consegue mais disfarçar suas intenções golpistas.

            Eu sei que a economia do Brasil não está crescendo mais a 5% ao ano como nos tempos do presidente Lula, mas o Nordeste apresenta atualmente um crescimento de 4% anuais; a inflação está, sim, mantida dentro da meta; a taxa de desemprego voltou a cair no 2º semestre de 2014, e a situação no país é considerada de pleno emprego (6,8%); o salário mínimo continua tendo aumentos reais; o consumo está aquecido e os investimentos estrangeiros diretos no Brasil (IED) aumentaram em 8% (42 bilhões de dólares) só neste ano de 2014.

         Então, caberia perguntar aos “entendidos” e “desentendos” de plantão, e aos “cavaleiros do apocalipse”: cadê o tão apregoado caos da economia brasileira e onde está o grande erro da política econômica de Dilma Rousseff que teria sido capaz de “detonar” a 6ª economia do mundo? Como se vê, a pergunta é direta e bem simples, logo, a resposta também dispensa rodeios, clichês, frases decoradas ou qualquer outro tipo de embromação. Particularmente, ficaria muito grato com uma resposta assim: simplesmente direta.

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