O perigo é depois

            DEU nas folhas e nas mídias que o inquérito do “trensalão” que apura cartel, fraude em licitações, corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no metrô de São Paulo (CPTM), sob os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, está parado há um ano no Ministério Público Federal.

          Outro dia, as folhas e as mídias deram também que o “mensalão tucano” dorme esquecido nas prateleiras da Justiça Federal, aguardando sentença de primeira instância há sete meses. Essa ação penal até já prescreveu em relação a alguns réus e tomou um “drible” do tucano Eduardo Azeredo e seu aliado Clésio Andrade que escaparam do STF renunciando a seus mandatos.

        As folhas e as mídias noticiam essas aberrações, mas o fazem de maneira muito discreta. E seus “entendidos” e serviçais não aparecem com aqueles artigos moralistas, querendo ver todos os tucanos na cadeia, como o fazem quando as suspeitas e investigações recaem sobre outros partidos, ou melhor (sejamos logo claros), quando as investigações recaem sobre o PT e seus aliados.

           Enquanto “mensalões e trensalões tucanos” não saem do lugar e estão ameaçados por prescrições e manobras jurídicas, a Operação Lava Jato segue a todo vapor. Já prenderam dois presidentes do PT, dois tesoureiros do PT, deputados e filiados ao PT, cunhada de tesoureiro do PT, irmão de ex-presidente do PT, e até o filho do líder do PT está na mira dos investigadores.

            As doações de campanha feitas aos tucanos por empresas envolvidas no “petrolão” não são suspeitas nem investigadas; já as doações feitas ao PT são objeto de investigação rigorosa e competente, sob o aplauso da mídia e com a apoio ingênuo da opinião pública que acha que a corrupção é obra exclusiva do PT.

            Essa ingenuidade se manifesta assim: (1) admite que a corrupção não começou com o PT, mas acha que ela cresceu absurdamente com o PT; (2) admite que o PSDB também já se beneficiou da corrupção, mas acha que ela deve ser punida apenas daqui pra frente; (3) está convencida de que o “mensalão do PT” e o “petrolão” constituem um marco a partir do qual o país acabará com a corrupção, da noite pro dia.

           Esses ingênuos não têm a menor ideia do quanto se roubava no passado, porque o passado é uma incógnita, lá não havia investigação nenhuma; estão dispostos a “anistiar” os governos anteriores porque desejam punir seletivamente apenas o governo atual; e pretendem fazer do “mensalão” e “petrolão” petista o bode expiatório da corrupção no país, sem se importar com os atuais “mensalões” e “trensalões tucanos”.

            Belo senso de justiça, não?

          O perigo é depois do PT. O perigo é quando o PT não estiver mais no governo e todo esse ímpeto investigatório desaparecer. Aí, quando não houver mais investigação, e o silêncio conivente das folhas e das mídias parar de fazer a cabeça dos bem e dos mal- intencionados, os corruptos voltarão com tudo, farão a festa de novo. Nessa hora, desaparecerá imediatamente a inusitada sede de justiça que tomou conta do Brasil atual, bem como o “moralismo brega” de uns tantos que só veem corrupção onde os Williams (Bonner e Waak) dizem que há corrupção.

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