Crime e boçalidade

NESTE domingo, o presidente da República deu mais uma prova de sua índole criminosa: promoveu aglomeração de milhares de pessoas no Rio de Janeiro, sem distanciamento nem máscara, para protestar contra não se sabe bem o quê, “em defesa da família e da pátria”, com Deus no coração”.

Com esse comportamento, o presidente comete mais um de seus crimes contra a saúde pública e a vida dos brasileiros. Segue agindo como um provocador barato, um sádico, um indivíduo que não consegue discernir entre o bem e mal, entre o lícito e o crime.

Teve o apoio do governo do Rio de Janeiro, que mobilizou mais de 1.000 policiais para assegurar as estripulias do capitão miliciano; e teve também a companhia do ex-ministro Pazuello, que recebeu o Ministério da Saúde com 30 mil mortos pela covid-19 e entregou a pasta com 300 mil óbitos – multiplicou o morticínio por dez.

A verdade é que Bolsonaro está em campanha, como esteve desde o começo de seu governo. Nesses dois anos e meio, não há nenhum ato de governo, nenhuma realização do governo federal, que pudesse ser apontado como importante obra do capitão – ele não governou um dia sequer, só fez campanha, espalhando mentiras, desinformação e ódio.

Claro que a manifestação desse domingo foi mais um ato de campanha, apoiado entusiasticamente pela boçalidade daqueles que se identificam com o presidente e aplaudem seus crimes. Não é à toa que o caminhão de onde discursou o presidente, despejando suas sandices, estava cheio de guarda-costas, milicianos e brucutus.

Essa parcela bolsonarista não apenas concorda com as insanidades do capitão, não é um caso de apoio ou opção política, ela “identifica” com o miliciano que hoje ocupa o Palácio do Planalto. É um caso típico de identificação e não uma escolha racional ou política; o bolsonarista de raiz é igual ao Bolsonaro – não é nem fanatismo, é equivalência, equiparação.

Daqui até 2022 será isso – Bolsonaro desesperado nas ruas. As pesquisas indicam que sua popularidade despencou,. a rejeição aumentou, e as intenções de voto minguaram. Pra complicar a vida do miliciano, ressurge a figura de Lula e as pesquisas indicando que o petista pode vencer a eleição presidencial até mesmo no primeiro turno.

Bolsonaro surtou e vai continuar, como se diz, “agitando suas bases” e despejando ódio nas redes sociais. É um político malsão que o eleitorado, vítima de muita manipulação midiática e cegueira coletiva, teve a má sorte de pôr na Presidência da República um homem despreparado, autoritário e criminoso.

Que os crimes de Bolsonaro e a boçalidade dos que o apoiam continuarão até 2022, não há dúvida. A esperança é que a maioria do eleitorado brasileiro recobre a lucidez, encare a política com responsabilidade, e não se deixe levar nem pelo ódio nem pelo preconceito político e social. Espera-se que o eleitorado, finalmente, se dê conta de que 2018 foi um momento de desatino – uma gafe histórica que pôs a milícia do Rio de Janeiro para governar o país.

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