A necessária volta de Lula

LULA voltou e voltou com tudo ao cenário político-eleitoral brasileiro: segundo a última pesquisa do Datafolha (pesquisa presencial e não por telefone ou internet), Lula é o grande favorito para a eleição presidencial de 2022. Está muito à frente de todos os candidatos – seja no primeiro, seja no segundo turno.

No primeiro turno, Lula tem 41% das intenções de voto, seguido (de longe) por Bolsonaro com 23%. Na disputa direta do segundo turno, entre Lula e Bolsonaro, o petista crava 55% contra apenas 23% de Bolsonaro. Os demais candidatos seguem embolados lá embaixo, sem nenhuma condição de decolar.

Esse cenário indica que a eleição de 2022 ficará mesmo polarizada entre Lula e Jair Bolsonaro, pois, ao menos por ora, não há sinais de que uma terceira via pudesse aparecer. E o mundo político já dá como certo que a direita tradicional não conseguirá emplacar um terceiro nome eleitoralmente viável.

Claro que até a eleição tem, como se diz, muita água pra rolar, mas o cenário mais provável é a consolidação do favoritismo de Lula e o derretimento de Bolsonaro, cuja popularidade vem despencando e, bem por isso, já aparece com alta rejeição na pesquisa Datafolha, 54%, contra 36% de Lula.

É verdade que Jair Bolsonaro sempre foi um deputado com alta votação no Rio de Janeiro, e na eleição de 2018 conseguiu expandir seus votos em nível nacional, numa evidência de que há, pelo Brasil afora, uma parcela do eleitorado que pensa como ele – por mais estapafúrdias que sejam suas ideias e propostas políticas.

Há de fato no país um eleitorado com tendências autoritárias e até extremo-direitistas. É o que se chama de “bolsonarismo de raiz” – que existia mesmo antes de Bolsonaro e continuará a existir depois dele. O percentual desse eleitorado gira em torno de 20%, como já começa a apontar a pesquisa Datafolha, e a tendência é que a votação de Bolsonaro estacione nessa faixa – entre 20% e 25% -, dado seu governo inexistente e a péssima gestão da pandemia.

Já Lula tende a crescer. Seu histórico político – liderança, carisma, habilidade para costurar alianças e a memória de seus governos bem-sucedidos – revela que ele cresce em campanha, seja na rua seja na televisão, e sobretudo em debates. Alguns analistas acreditam até na possibilidade de Lula vencer em primeiro turno – o que parece um pouco difícil, mas não impossível.

Enfim, a volta de Lula, como diz o outro, “embolou (ou limpou?) o meio de campo”, porque ninguém contava com isso tão cedo e, depois de tanta pancadaria, não se esperava que sua força eleitoral estivesse assim tão viva, intacta, como revela agora a primeira pesquisa feita pelo método presencial desde a última eleição.

Se não houver outro golpe pelo caminho – coisa que vai ficando cada vez mais difícil – é bem provável que o país se livrará do governo amalucado e genocida de Bolsonaro mais cedo do que se pensa – tal como o povo norte-americano se livrou rapidamente do maluco Donald Trump.

Lula é a alternativa. A direita tradicional, duramente derrotada na última eleição para presidente, não consegue emplacar um nome de expressão eleitoral – a soma das intenções de voto nos candidatos da direita clássica, segundo a pesquisa mencionada, não chega sequer à metade dos votos de Lula, cuja volta é mesmo necessária, para que o país volte também à normalidade democrática, recupere a racionalidade e venha a ter esperança de novo.

______________________

http://www.avessoedireito.com

Esse post foi publicado em Avesso. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s