Os erros mortais do presidente

A FINALIDADE da CPI da Covid é apurar as responsabilidades daqueles que tinham o dever de gerenciar a crise sanitária e não o fizeram, ou fizeram de maneira irregular. Como é público e notório, o presidente da República é o grande responsável pela gestão mortífera da pandemia – portanto, a CPI da Covid vai investigar o óbvio.

Dentre muitos outros, alguns erros por parte do presidente da República foram determinantes para que o Brasil não conseguisse controlar a crise do coronavírus e estivesse hoje na situação em que está: com seu sistema de saúde em colapso, com quase meio milhão de mortes e mais de 14 milhões de acometidos pela covid-19.

O primeiro erro grave. Em vez de acatar as recomendações da ciência e das autoridades de saúde do mundo inteiro, para prevenção e combate à pandemia, Jair Bolsonaro preferiu negar a gravidade da doença, apregoando que era uma enfermidade criada chineses e um exagero da mídia.

Em vez de coordenar as ações preventivas do uso de máscara e distanciamento social, reconhecidamente eficazes para barrar a propagação do vírus, o presidente preferiu incentivar aglomerações, descartando o uso de máscara e promovendo, ele próprio, ajuntamentos que espalharam a doença pelos diversos lugares onde andou.

Em vez de adiantar-se para adquirir as vacinas, que logo no começo da pandemia começaram a ser desenvolvidas, Bolsonaro preferiu apostar na chamada “imunidade de rebanho”, ou “imunidade coletiva”, que já não havia dado certo na Europa e fora tragicamente desmentida pelo surto de Manaus.

Em vez de investir na ciência para desenvolver remédios eficazes, ou na compra de soros e anti-inflamatórios hoje existentes; em vez de fazer uma campanha de esclarecimento sobre a letalidade da doença, Jair Bolsonaro preferiu apostar na cloroquina, divulgando um tratamento precoce que não existia.

Em vez de centralizar as ações no governo federal, em parceria com governadores e prefeitos, para coordenar eficazmente o combate à peste que se alastrava, Jair Bolsonaro preferiu não fazer nada, impediu que seus ministros da Saúde o fizessem, e buscou impedir, até mesmo na Justiça, que os estados e municípios tomasse providência recomendadas pela ciência e pelas autoridades sanitárias no enfrentamento da crise.

Negacionista irresponsável, Bolsonaro deixou de fazer o que era preciso, atrapalhou quem queria fazer, e fez só o que não devia – foi um parceiro do vírus. Até mesmo os dados da doença o presidente sonegou à população, alegando que a mídia estava fazendo muito terror com uma pandemia que não era tão grave quanto pensavam.

As razões que levaram Bolsonaro a se comportar assim permanecem desconhecidas. Há quem sustente que não há razões, é um problema de índole: Bolsonaro é um indivíduo malévolo, perverso. Desde a campanha só falava em dar tiros, matar, apoiar matadores e “cancelar CPFs”. Descobrimos muito tarde que o presidente é um homem letal!

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