Bandidagem assumida

CHEGA a ser um escárnio, um escândalo – ou verdadeira apologia ao crime – a foto em que Bolsonaro aparece junto a meia dúzia de puxa-sacos com a réplica de um cartão de CPF onde se lê “CPF CANCELADO”. Essa expressão é uma gíria da bandidagem, utilizada por grupos de extermínio, milicianos, integrantes do PCC, Comando Vermelho, Família do Norte e outras organizações criminosas.

A foto não é só de mau gosto – é um corpo de delito. E constitui verdadeira confissão de que o presidente fala a língua, se relaciona e faz parte do submundo do crime. É criminoso confesso. Sendo assim, será preciso fazer uma distinção muito clara entre o eleitor eventual de Bolsonaro e o seu apoiador – que doravante passa a ser cúmplice de seus crimes.

A foto foi tirada após entrevista a uma emissora de tevê amazonense e divulgada no site oficial do Planalto. Numa evidência de que o presidente é mesmo um sem-noção: não tem a menor noção do cargo que ocupa nem de que a sua foto é uma prova de seu envolvimento criminoso, bem como da necropolítica que vem praticando: “CPF Cancelado” significa morte, homicídio, extermínio, crime.

Deixar-se fotografar numa situação dessas, divulgar uma foto assim, em que confessa sua intimidade com o submundo do crime, no instante em que o Brasil contabiliza quase 400 mil mortos pela covid-19, e numa cidade (Manaus) onde a omissão do presidente matou 61 pessoas só numa semana, ultrapassa todos os limites do aceitável e do bom senso, e de qualquer processo que se pretenda minimamente civilizatório. É Barbárie.

Bolsonaro é um necropolítico que pratica a necropolítica a céu abeto. E se orgulha disso. Já afirmou certa vez, num programa de televisão, que “sua especialidade é matar”. E é mesmo. Que o digam as 400 mil famílias que perderam seus entes queridos para uma doença que o presidente negligenciou sem mover palha sequer em defesa de seu povo, contra a pandemia.

De fato, Bolsonaro foi e é um poderoso aliado do coronavírus, um “príncipe da morte”. E está pouco se lixando para as vítimas – são simplesmente CPFs CANCELADOS, “e daí?”, “vai morrer quem tinha de morrer, e pronto!”.

Por isso que, daqui para a frente, será preciso fazer a distinção entre os que votaram em Bolsonaro (pelas mais diversas razões) e aqueles que votaram e ainda o apoiam, que se identificam com ele. Os primeiros se enganaram ou foram enganados, estes últimos são cúmplices – de genocídio e de vários outros crimes como esse do cartão do CPF, que configura apologia criminosa.

Espera-se que o país, como um todo, recupere a razão. Pois ao bolsonarismo, em particular, não é razoável exigir racionalidade O apoio cúmplice a Bolsonaro não se pauta pela razão ou pelo raciocínio, e sim pela emoção, pelo fanatismo. Seus apoiadores não o apoiam por algum motivo racional, razoável, mas pela identificação (afetiva) com o líder – se descobriram iguais ao Bolsonaro.

O Palácio do Planalto está em pânico com a CPI do genocídio. E não é para menos. Bolsonaro e seus subordinados sabem muito bem que o capitão corona cometeu muitos crimes – por ação e omissão – contra seu povo e seu país, aprofundando uma crise ao mesmo tempo sanitária e humanitária. Depois de cometer tantos crimes contra a vida e a saúde do povo, o capitão ainda se dá a licença de ironizar as “vítimas canceladas”. Só pode ser barbárie, não tem outro nome!

______________________

http://www.avessoedireito.com

Esse post foi publicado em Avesso e marcado , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s