Bagunça no desgoverno

A HISTÓRIA ainda vai deixar suficientemente claro o infortúnio que foi brasileiros elegerem o pior presidente de sua história em meio à pior pandemia do século. Só poderia dar em desastre. Algo que reforça aquele dito popular de que desgraça nunca vem só, anda acompanhada.

Sim, porque a atitude negacionista e omissa do governo brasileiro em relação à pandemia, minimizando a gravidade da doença, deixando de providenciar vacinas, incentivando aglomerações que resultam na propagação do vírus e indicando tratamento que não funciona contra a doença do corona, foi e está sendo uma desgraça.

Mas não é só em relação à pandemia. Jair Bolsonaro veio com o propósito (aliás, declarado) de destruir tudo o que estava aí. Destruiu planos e programas de governo construídos ao longo do tempo e a duras penas; destruiu a eficácia da administração pública estratégica; destruiu a ciência e a cultura; e até a própria ideia de política como plano de ação coletiva e realização do bem comum ele conseguiu destruir.

Depois de tantos desvarios, Bolsonaro foi enquadrado com um sonoro “Basta!” pelo STF, pelo Congresso, pelo mercado, por alguns governadores e pela opinião pública, que já revela 54% de desaprovação ao seu desgoverno e o derretimento de sua popularidade. Acuado, o capitão resolveu se mexer.

E mexeu no Ministério da Saúde pela quarta vez em dois anos, retirando o ministro Pazuello que, para resumir a incompetência, pegou a pandemia com 15 mil mortos e a entregou com mais de 300 mil; confundiu Amazonas com Amapá e enviou medicamento para o lugar errado; deixou os doentes de Manaus sem oxigênio e apostava na cloroquina.

O presidente mexeu agora também no Ministério das Relações Exteriores, demitindo o ministro maluquinho Ernesto Araújo, que destruiu a imagem do Brasil lá fora, hostilizando de maneira desnecessária e vulgar nossos maiores parceiros comerciais e também o país que haveria de nos fornecer vacinas e insumos – a China!

Em desespero, e numa tacada só, Bolsonaro muda os titulares de, nada mais, nada menos, que seis ministérios, escancarando a profunda instabilidade do governo e sua definitiva entrega ao insaciável Centrão. As mudanças, para inglês e o Centrão verem, deixam claro que a mediocridade continua – mudam-se os nomes, mas não se mudam as coisas.

Até nos quartéis a bagunça do capitão chegou. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pediu demissão sem dizer por quê, imediatamente a cúpula das Forças Armadas pôs seus cargos à disposição. Sabe-se que tudo isso ocorreu porque os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica se recusaram apoiar o autogolpe pretendido pelo tresloucado capitão paraquedista.

Como se fosse pouco, há ainda um princípio de motim na Polícia Militar da Bahia, insuflado por um núcleo bolsonarista daquela polícia, que alguns deputados da base de apoio a Bolsonaro, como a maluquinha Bia Kicis, desejam ver estendido a outras unidades da federação – é só doido!

Há alguma tensão em Brasília, mas o que prevalece é a avaliação de que Bolsonaro não tem competência (nem força) para liderar sozinho um autogolpe de Estado, apenas na base do ódio e da desinformação propalados por suas milícias e falanges digitais. O governo está derretendo, e com ele a figura do mito!

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