A velha fogueira

É INCRÍVEL, mas noventa e nove vírgula nove por cento (99,9%) daqueles que falam que Lula é ladrão não sabem dizer o que é que o Lula roubou. A única coisa que sabem repetir, e repetir, e repetir é que Lula é ladrão. Bandido. Ex-presidiário. E pronto. Isso basta a esses guardiões bissextos da moralidade pública, repetitivos varões de Plutarco.

E os que dizem saber qual foi o roubo do Lula se limitam a apontar, invariavelmente, o triplex do Guarujá, o Sítio de Atibaia e 40 milhões de reais, que, segundo eles, pertenciam ao ex-presidente mas estavam na conta da Odebrecht. Ou seja, apartamento e sítio estavam em nome de outrem, eram usados por outrem, o dinheiro estava na conta-corrente de outrem, mas, segundo esses acusadores insistentes, tudo isso era do Lula.

Prova que é bom, nada!

Não conseguem provar (1) o que é que o Lula roubou; (2) quanto roubou; (3) nem onde está o produto do roubo. Os senhores da Lava Jato jogaram a toalha: procuradores disseram que não tinham provas, só convicções; e o juiz Sérgio Moro disse que tinha apenas provas indiretas, quer dizer, só ilações.

Reviraram Lula e sua família de ponta-cabeça com buscas e apreensões; conduções coercitivas; quebras de sigilo bancário; quebras de sigilo fiscal; quebra de sigilo telefônico; rastreamento de contas no exterior, ou contas em nome de “laranjas” ou em paraísos fiscais… até agora nada! Só foguetório.

Nem mesmo a tal imprensa investigativa – que em relação ao Lula e a tudo o que a Lava Jato produziu fez um asqueroso “jornalismo declaratório” e opinativo – nem mesmo essa parte da imprensa antipetista e antilulista conseguiu encontrar uma pequena prova que fosse a respeito dos “grandes crimes de Lula” – só ruído, só blá-blá-blá.

Como fez agora a Folha de S. Paulo, cujo instituto de pesquisa (Datafolha) divulgou nesta semana que 57% dos brasileiros veem Lula como culpado. Ou seja, a metade dos brasileiros consegue “ver” a culpa de Lula mas não consegue “mostrá-la”.

Depois de submeter a vida do petista a um escaneamento sem exemplo na história dos presidentes da República; depois de apoiar um juiz incompetente e suspeito para condenar Lula sem provas; depois de se mostrar incapaz de fazer um jornalismo investigativo e levantar provas concretas contra Lula, o jornal paulista submete o ex-presidente ao “tribunal popular” de sua pesquisa.

O resultado não poderia ser outro: para a maioria dos entrevistados pelo Datafolha Lula é culpado. Só não sabem dizer do quê nem por quê. Sabem apenas (ou julgam saber) que Lula tem culpa, que deve ser condenado, como naqueles velhos tempos da inquisição em que os réus eram queimados na “fogueira santa” em nome de uma verdade suprema que não necessitava de provas.

Os tribunais foram imaginados justamente para produzir decisões racionais, nos termos da lei e das provas lícitas, longe das distorções e do clamor que geralmente acompanham os julgamentos pelo público anônimo. Opiniões, como se sabe, não são fatos – muito menos prova. No caso de Lula, sobram as opiniões…

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