Aparelhamento pouco é bobagem

LOGO que assumiu a presidência, Jair Bolsonaro tratou de mudar as superintendências da Polícia Federal e da Receita no Rio de Janeiro, e o fez com o propósito declarado de evitar que esses órgãos atingissem seus filhos ou amigos. Ele próprio, num vídeo, disse que pretendia proteger sua família e sua turma contra investigações da PF.

Indagado pela mídia sobre essa interferência nos órgãos de investigação, Bolsonaro foi taxativo: “Eu fui eleito para interferir mesmo!”. Tanto essa “explicação” do presidente, quanto o vídeo em que ele disse que iria interferir na Receita e na PF para proteger sua família e amigos, deixou todo mundo estarrecido. Mas não aconteceu nada, só espanto.

Quando teve de escolher o Procurador-Geral da República, o Ministério Público Federal apresentou ao presidente uma lista tríplice, com nomes escolhidos em votação interna pela instituição. Bolsonaro escolheu um nome fora da lista, Augusto Aras, de sua inteira confiança. Ou seja, escolheu a dedo o homem que tem a função de investigá-lo e eventualmente acusá-lo.

Agora, na eleição da presidência da Câmara e do Senado, o presidente abriu as porteiras das verbas e dos cargos, e conseguiu eleger dois presidentes alinhados consigo, justamente no momento em que falava-se em impeachment e um dos filhos de Bolsonaro (senador Flávio) está respondendo a um processo de cassação no Congresso.

Resumo da ópera: Bolsonaro escolheu os dirigentes da Polícia Federal que investigavam seus familiares e amigos; trocou o diretor da Receita Federal que fiscalizava as importações de armas; pôs na função de fiscal-acusador do presidente um homem de sua estrita lealdade; e agora “compra” as presidências do Congresso com dinheiro (verbas) e com cargos que viram dinheiro.

Diziam que o PT era quem costumava aparelhar o Estado em seu próprio benefício. Mas os que diziam isso ontem hoje andam bem caladinhos. E ainda são capazes de dizer que “as instituições estão funcionando”. Deve ser porque, na visão deles, “aparelhagem” pouca é bobagem.

O atual ocupante do Planalto é uma fraude. Foi o resultado de um golpe que esfacelou nossa institucionalidade, ameaça nossa democracia e deita por terra o projeto de um país mais justo, soberano e desenvolvido. Vejamos!

Sim, desde o golpe, direitos trabalhistas, benefícios previdenciários, aposentadorias dos trabalhadores e programas de inclusão social foram sendo aniquilados pouco a pouco, por Michel Temer e Jair Bolsonaro. Portanto, o ideal de um país mais igual e mais justo está indo pelo ralo.

A nossa soberania também. Estão esquartejando a Petrobras (que juravam defender) com a venda das refinarias. O refino de petróleo é a joia da coroa. As grandes como a Exxon e a Shell são grandes porque expandiram (e continuam expandindo) sua capacidade de refino – exatamente o contrário do que faz o Brasil de hoje. Adeus soberania energética!

E, por fim, o nosso desenvolvimento econômico e produtivo também está fugindo pelo ralo. O congelamento (PEC 95) de investimentos em infraestrutura por 20 anos e o desfinanciamento da ciência e da tecnologia a pretexto de garantir a calamitosa “austeridade fiscal”, nos condena ao atraso, ao subdesenvolvimento.

Em resumo, foi isso o que se deu com o Brasil pós-golpe. E agora permanecemos estagnados, nas mãos de um presidente que busca “aparelhar” o Estado brasileiro em benefício de seus próprios interesses, e ainda por cima se dá ao luxo de debochar da democracia. Ele mesmo confessa: “Fui eleito para isso”.

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