A cilada da “frente Ampla”

A MÍDIA burguesa, porta-voz da direita, tem pregado insistentemente a necessidade de uma “frente ampla de oposição” para derrotar o bolsonarismo nas eleições de 2022. Se não for assim, argumentam “ad terrorem”, o risco de reeleição do Bolsonaro será muito grande.

Essa “frente ampla” envolveria um arco de partidos da esquerda, do centro e da direita tradicional, bem como bolsonaristas arrependidos e democratas sem vinculação partidária. Tudo isso para derrotar a extrema-direita e o populismo neoautoritário de Jair Bolsonaro et caterva.

A arquitetura dessa frente é bem idealizada, e aparentemente honesta, bem-intencionada, mas há uma armadilha aí: o que os arquitetos dessa frente querem é eleger alguém da direita em 2022 contando com o apoio e os votos da esquerda. Ou estariam dispostos a entregar a liderança dessa frente (cabeça de chapa) a alguém da esquerda como Lula, Haddad, Boulos etc.? Claro que não.

O que querem na verdade é atrelar a esquerda ao seu projeto conservador e acabar de vez com o protagonismo das lideranças do PT. Sim, o PT é o maior partido de esquerda do Brasil, disputou as últimas 7 eleições presidenciais e ganhou 5 – teria ganho a sexta se não fosse o golpe que tirou Lula da corrida. Não cabe, portanto, uma frente de oposição para derrotar Bolsonaro com o PT e a esquerda assumindo papel de coadjuvante.

Para derrotar Bolsonaro, a direita tradicional não precisa pedir que a esquerda venha lutar contra o projeto autoritário e neoliberal representado pelo capitão. Isso a esquerda já fez em 2018 – votou fechada contra Bolsonaro. E o fará agora em 2022, fará também em 2026, em 2030…2050. Isso é o beabá da esquerda: sua razão de ser é opor-se aos projetos antipopulares e antidemocráticos da extrema-direita.

Não é preciso convocar ou fazer frente para que a esquerda cumpra esse papel. Quem não cumpriu esse papel em 2018, quem não fez a lição de casa, foi a direita, que apostou nas políticas neoliberais de Paulo Guedes e resolveu engolir e pôr o capitão (que a direita sabia ser uma excrescência da ditadura) no Palácio do Planalto.

Não venha agora pedir a ajuda da esquerda para limpar a “burrada” (digo “burrada” pra evitar um palavrão feio!) que fez nas últimas eleições. E quem tem de fazer frente é a direita, sozinha, ou com os partidos de centro, porque a esquerda já é uma “frente natural” contra o bolsonarismo.

A proposta de uma “frente ampla de oposição”, incluindo os partidos de esquerda e sob a liderança da direita, soa a golpe do bilhete premiado.

A única frente que o campo popular democrático deve admitir em 2022 é uma frente genuinamente de esquerda, não apenas com o objetivo de barrar Bolsonaro (que é um objetivo urgente), mas, sim, de vencer as eleições. De assumir o poder e recolocar o país novamente no rumo do desenvolvimento econômico com justiça social e democracia.

Enfim, uma frente de esquerda é a via que resta aos partidos do campo popular realmente democrático. E a direita que tome juízo e faça sua parte, porque a esquerda – não se preocupem! – sabe muito bem o que fazer para destronar Bolsonaro e barrar o bolsonarismo que os partidos da elite levaram ao poder. Não queiram, pois, ensinar o padre-nosso ao vigário!

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