Outro ano perdido

QUANDO Bolsonaro assumiu o governo chegou dizendo que iria acabar com a corrupção, metralhar os esquerdistas, liberar armas para a população se defender, mudar o “sistema” (seja lá o que isso significa!), fechar Congresso e o STF, para instalar o que ele chamava de “a nova política”, e que, enfim, iria dar um jeito no Brasil. Até acenar com autogolpe, ele acenou. Pura bazófia.

O capitão chegou com dois superministros a tiracolo: o Paulo Guedes, ministro da economia, e o Sérgio Moro, ministro da Justiça. O primeiro era o sabe-tudo que até ganhou o apelido de Posto Ipiranga, ou outro, era o pode-tudo, que tinha a missão de continuar “limpando o Brasil”.

Hoje, fica claro que o ministro Paulo Guedes não sabe nada, não fez nada e não há sinais de que vá fazer alguma coisa. Por isso, virou um miniministro e sumiu. A economia vai de mal a pior, com crescimento zero, desemprego e inflação, o governo não tem plano nenhum para reerguê-la, e o tal saberete do Posto Ipiranga parece não saber nem onde põe nariz.

O Moro, em vez de “limpar o Brasil”, limpou foi os trapos; brigou com o capitão e pulou fora do barco, foi trabalhar na iniciativa privada como diretor de uma empresa especializada em atender empresas corruptas. Vê se pode!

O presidente, por sua vez, anda mais perdido que cachorro em dia de mudança. Não tem partido, não tem condições de articular uma base parlamentar no Congresso, entregou-se ao que há de mais fisiológico e corrupto no parlamento (o chamado Centrão), e só consegue mesmo é continuar a dizer suas baboseiras de sempre.

Enquanto o país espera por uma reforma bancária, fiscal e política, Jair Bolsonaro vai inaugurar o relógio do Ceasa e anuncia que pretende articular no Congresso a aprovação da “excludente de ilicitude”. Não há prova mais evidente de que o capitão está completamente dissociado da realidade.

Na pandemia então, nem se fala. Bolsonaro não fez absolutamente nada para combatê-la e fez muito para agravá-la: negou a gravidade da doença, incentivou aglomerações, contaminou-se e saiu contaminando pessoas, não tem plano de vacinação para o país e até desdenha a vacina.

Aliás, no início da pandemia Bolsonaro dizia-se contra o lockdown para salvar a economia; agora, que a vacina está aí e pode acelerar o processo de retomada das atividades econômicas, ele é contra a vacina. Pode haver uma evidência maior de sua estupidez? Ou é picaretagem mesmo?

Fato é que já estamos no meio do mandato e até agora, nada. Não há nada que este governo tenha feito – no campo político, econômico ou social – que mereça destaque. Só patacoada. Liberação de arma, redução de imposto sobre importação de arma, aumento de salário de militares, flexibilização das normas de segurança no trânsito, troca-troca de ministros da Saúde em plena pandemia… uma lástima!

O ano de 2020 foi engolido pelo vírus e isso disfarçou um pouco a incompetência e o fracasso de Bolsonaro – mas a pandemia realçou sua estupidez. Para 2021 não devemos esperar nada muito diferente. Só estagnação e fanfarronice. O país continuará parado e Bolsonaro, parado também, olhando apenas para a reeleição em 2022. Mais patacoada e mais dois anos perdidos…

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