Bolsonaro perdeu mais uma

AS ELEIÇÕES municipais de 2020 não corresponderam ao exato desejo de Bolsonaro. Todo mundo que ele apoiou, perdeu. E quem lançou mão do oportunismo rastaquera de usar o nome de Bolsonaro nas urnas, também se deu mal; de setenta candidatos que usaram esse estratagema velhaco, apenas um se elegeu.

Agora, na eleição tardia de Macapá – adiada por causa da crise elétrica no estado – o candidato de Bolsonaro, mais votado no primeiro turno, acabou perdendo também. Anteontem, na véspera da votação, o presidente gravou uma mensagem apoiando Josiel Alcolumbre, no dia seguinte esse candidato tomou a virada e saiu derrotado.

O fato de Bolsonaro não ter sido um bom cabo eleitoral em todo o país é, sim, um fato notável. Não quer dizer que ele vá perder a eleição de 2022. Não, nada disso. Quer dizer apenas que o capitão não está mais empolgando o eleitorado de uma maneira geral, e isso significa (como não?) perda de prestígio ou força política.

Apesar disso, é certo que Bolsonaro tem lá seus 20% a 30% de intenção de voto e praticamente já está no segundo turno das eleições de 2022. Esse bolsonarismo que o apoia de maneira incondicional existe mesmo antes de Bolsonaro – é a faixa ultraconservadora da sociedade brasileira que estava no armário e ganhou voz com a inesperada ascensão do “mito”.

Só que esses 20% a 30% de votos não garantem a eleição de Bolsonaro no segundo turno. O mais provável é que ele vença na primeira mas perca na segunda rodada de votação. É precisamente essa a mensagem das urnas em 2020, que a eleição no Amapá acaba de reforçar.

Claro que até outubro de 2022 tem muita água pra rolar por baixo da ponte. Mas parece que essa água não está rolando na direção do moinho de Bolsonaro. Os fracassos político e administrativo de seu governo – e o fiasco no enfrentamento da pandemia – continuarão a desgastar a figura do capitão.

O eleitorado bolsonarista (“de carteirinha”) continuará firme, vai com o capitão até os cafundós do judas, e o colocará no segundo turno. Mas, na segunda rodada, sem Lava Jato, sem Rede Globo e com a burguesia rachada, será muito difícil Bolsonaro derrotar de novo a direita tradicional, a esquerda e o centro.

As eleições municipais de 2020 indicam claramente que o capitão, fora de seu reduto ultraconservador, vai ter dificuldades. E o mais provável é que o Brasil se livrará de Bolsonaro do mesmo jeito que os EUA se livraram de Trump – numa eleição apertada, mas desfavorável à extrema-direita.

Claro que tudo isso são conjecturas e as urnas é que, no final das contas, dirão a última palavra. Mas a primeira palavra já foi dita pelas urnas em 2020; se Bolsonaro não foi um bom cabo eleitoral, consequentemente não será também um bom candidato. Continua sendo um candidato forte, é verdade, mas não o bastante para vencer a direita e a esquerda em dois turnos.

São palpites. Porém, os cenários eleitoral, político, econômico, sanitário e social indicam – como nos EUA, em que Trump foi mal na pandemia e há dois anos também perdeu as eleições para a Câmara, numa evidência de que vinha perdendo força – que em 2022 teremos alternância no Planalto. A ver…

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