Economia de ponta-cabeça

QUE Jair Bolsonaro não tinha nenhum programa de governo, portanto, nenhum plano econômico para o país, todo mundo já sabia. E sabíamos também que sua “equipe” econômica se resumia ao velho “Posto Ipiranga” e seu frentista Paulo Guedes, que tinha na cabeça um plano só, privatizar tudo – nada mais.

A economia brasileira vinha definhando desde o golpe de 2016 e emborcou de vez com dois anos de Temer e mais dois de Bolsonaro. O crescimento passou a ser zero, o desemprego triplicou, a carestia está de volta e as contas do governo viraram uma bagunça – estão por assim dizer de ponta-cabeça.

Apenas dois exemplos (tem muitos mais) bastam para ilustrar o atoleiro em que nos metemos, afundando dia a dia.

Derrubaram os governos petistas porque, segundo os golpistas, era um governo perdulário, que gastava mais do que arrecadava e, com isso, vinha “quebrando” a economia e afundando o país. Isso era o que diziam – e dizem ainda – os golpistas e os iludidos com o golpe.

Pois bem, vamos ver. Quando começou a “guerra” para derrubar a Dilma, logo após sua reeleição em 2014, as contas do governo estavam equilibradas, ou seja, não havia déficit primário, na verdade havia superávit. Em outubro de 2014 (época da eleição) o Brasil tinha um superávit acumulado de 4,1 bilhões de reais.

Em outubro de 2020, sob Bolsonaro, o Brasil já não tinha mais superávit; tinha, isto sim, um déficit acumulado estrondoso de 632 bilhões de reais só nos últimos doze meses. É isso mesmo, acreditem se quiserem: quando resolveram derrubar a Dilma tínhamos um superávit primário (pequeno, é verdade) de 4 bilhões; depois do golpe o que temos é um déficit de 632 bilhões de reais.

A mídia golpista não pode contar essa história porque ajudou a derrubar o governo do PT (e seus programas sociais de transferência de renda) alegando justamente que o governo petista gastava mais do que arrecadava, iria quebrar o país.

Outro exemplo da bagunça. Como éramos exportadores de commodities – somos o maior produtor de soja do mundo e grande produtor de milho, arroz e feijão – diziam que o governo Lula foi um sucesso, e que a vida do povo melhorou, só por causa do chamado “boom das commodities” – e não por força das políticas do ex-presidente.

Pois bem, vejam o que aconteceu depois do golpe. Continuamos sendo grandes exportadores de commodities e exportamos ainda mais, porque o dólar subiu e o agronegócio está faturando lá fora com suas exportações. No entanto, a vida do povo piorou e estamos (acreditem se quiserem!) IMPORTANDO óleo de soja, arroz e feijão porque o governo atual não regulou estoque e o povão está passando fome.

Resumindo: imediatamente antes do golpe tínhamos superávit primário de 4 bilhões de reais; depois do golpe regredimos para 632 bilhões de déficit; antes do golpe éramos exportadores de commodities e a mesa do brasileiro andava farta; depois do golpe viramos importadores das mesmas commodities que exportamos e a fome voltou. Então, quem é que pôs a economia de cabeça pra baixo?

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