Vacina contra a estupidez

HÁ quase um ano o mundo espera ansiosamente por uma vacina que acabe de vez com essa agonia provocada pelo coronavírus e nos devolva logo ao nosso “antigo normal”. Pois bem, no prazo recorde de oito meses a ciência e os cientistas cumpriram seu papel: apresentaram ao mundo 4 vacinas testadas e aprovadas para uso em massa, com eficácia entre 62% e 95% – um prodígio.

Como a vacina foi descoberta muito rapidamente, surgiu a primeira desconfiança: será que é uma vacina bem-feita, será que não foi feita às pressas, de qualquer jeito? Na verdade a tecnologia e as plataformas da nova vacina vêm sendo desenvolvidas há mais de 10 anos; estava tudo pronto – foi só colocar fragmentos do novo vírus nas plataformas, fazer os testes e a vacina apareceu.

Uma vez que algumas vacinas, como a da Pfizer (EUA) e a Moderna (EUA) por exemplo, utilizam trechos sintéticos das moléculas do RNA-mensageiro, começaram a dizer que a nova vacina contra a covid-19 poderia modificar o DNA das pessoas, provocando sabe-se lá quais alterações genéticas. Maluquice: o RNA é um mensageiro que sai da célula e nunca mais retorna; de mais a mais, o DNA fica no núcleo das células onde o RNA não consegue entrar.

O movimento antivacina entrou em ação e espalhou mundo afora que a nova vacina contra a covid-19 vai implantar um microchip no cérebro das pessoas, para que elas sejam rastreadas e controladas. Espalhou ainda que era o Bill Gates quem estava por trás desse plano diabólico. Sem comentário!

No Brasil, por razões ideológicas alimentadas inclusive pelo presidente da República e seu séquito, corre o boato de que a vacina chinesa não é confiável; não se sabe bem por quê, mas há uma desconfiança (talvez pelo fato de o novo vírus ter sido descoberto na China). Outra besteira: a China produz o insumo da CoronaVac chinesa, mas produz também o insumo da vacina desenvolvida pela Oxford-AstraZeneca no Reino Unido; aliás, a China é a maior produtora do mundo em insumos para medicamentos.

Além dessas estupidezes, há outras que são as jabuticabas brasileiras: o governo federal ainda não adquiriu os insumos necessários para a vacinação (seringas, agulhas, material gráfico etc.), e, pior, não elaborou um plano nacional de vacinação – talvez porque a covid-19 seja só uma “gripezinha”.

Muitos brasileiros estão achando que é só vacinar e pronto: já poderemos abolir as máscaras, o álcool-gel e o distanciamento social. Ledíssimo engano. Com sorte, e se o governo brasileiro não atrapalhar, teremos menos da metade da população vacinada só no final do ano que vem (2021) – portanto, até lá, máscara, álcool em gel e distanciamento. E, pelo andar da carruagem, 2022 também será assim.

É importante lembrar que a vacina imuniza a pessoa contra a covid-19, ou seja, impede que a doença se instale e desenvolva seus sintomas, mas não se sabe se ela (a vacina) neutraliza o vírus, logo, pode ser que o novo coronavírus tenha vindo pra ficar, e aí, gente, se o caboclo não estiver devidamente vacinado pode topar com a vírus a qualquer momento, em qualquer esquina.

(Mesmo os vacinados terão de continuar com o uso de máscaras, álcool-gel e distanciamento, para não transmitir o vírus às demais pessoas, para não se reinfectar e não contrair vírus de novas cepas. Esse novo coronavírus é infernal!)

Portanto, é preciso convencer a população a se vacinar. O governo federal não tem feito sua parte no item do convencimento, prefere brigar com governadores em lugar de tomar a frente e desenvolver campanha agressiva de vacinação, pois o instituto Datafolha publicou pesquisa na semana passada dizendo que cresce o número de brasileiros que não querem tomar vacina (22%); o próprio presidente da República disse que não vai tomar vacina nenhuma. Mais maluquice.

As vacinas são o que há de mais sofisticado na medicina: a medicina surgiu para curar doenças e agora consegue até evitá-las. Mas há quem não enxergue isso e ainda trabalhe contra. Quem sabe se um dia a ciência, tão avançada que é, não conseguirá descobrir uma vacina para a estupidez humana!

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