Dois sinais interessantes

ESTAS eleições municipais de 2020 – aliás, como todas as eleições – permitem captar algumas mensagens políticas que o eleitorado costuma mandar quando vai às urnas. São apenas mensagens, tendências, sinais… Mas têm relevância e quase sempre constituem um indício do que vem pela frente.

Dois pontos em particular me chamaram a atenção: primeiro deles, Jair Bolsonaro não foi um bom cabo eleitoral para candidatos a prefeito e vereador. Seu apoio não elegeu ninguém de grande expressão e, mais curioso ainda, muitos candidatos do campo da direita evitaram a aproximação com o presidente.

Interessante notar, nesse ponto, que dentre os 78 candidatos que usaram o sobrenome “Bolsonaro” em suas campanhas e nas urnas apenas um deles foi eleito. Sugestivo, não?

Isso não quer dizer que Bolsonaro vá perder a eleição de 2022; mas significa sim que perdeu força. E significa mais: aquele ímpeto da extrema-direita no Brasil está arrefecendo; pode ser que tenha sido apenas uma onda, ou, como se diz, “nuvem de verão” (no caso, inverno).

O segundo sinal emitido por estas eleições é que cantores gospel e apadrinhados de pastores evangélicos se deram mal nas urnas. Pode ser um indício de que o fundamentalismo religioso e conservador que tomou conta de boa parte do eleitorado brasileiro esteja refluindo.

Em si, não há nenhum mal que hajam cantores gospel nem pastores evangélicos. O mal está na associação sistemática das igrejas neopentecostais com a política, revelando um evidente projeto de poder e dominação profano incompatível com a dimensão sagrada das religiões e com a democracia.

Como disse, são apenas sinais de que o eleitorado está percebendo alguma coisa para além do neoconservadorismo político, tanto da “nova direita” quanto das igrejas neopentecostais.

É preciso esperar ainda o resultado do segundo do turno em várias cidades do país para recolher as impressões definitivas sobre a famosa “mensagem das urnas”. Mas, até aqui já dá pra ver que o obscurantismo político e religioso das últimas eleições não está com a bola toda.

Aproveitando o assunto, sobre “mensagens das urnas”, creio que a vitória de Joe Biden nos EUA, expulsando da Casa Branca o homem que ajudou a turbinar a extrema-direita no mundo, seja também um sinal de alívio para democracia global; reforça a ideia de que o “pico” do populismo autoritário está passando e os governos de ultradireita não são uma pandemia que veio pra ficar. Que assim seja!

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