Fraude e fraudador

          MUNDO afora, os populistas autoritários – Trump à frente – usam e abusam das mentiras, do deboche e das fake news. Quase se poderia dizer que essa é a grande estratégia de todos os populistas da extrema-direita que vêm se levantando e tomando o poder em boa parte do mundo dito democrático.

           Os conselhos que os ideólogos dão a esses populistas é o seguinte: quando alguém lhe fizer uma pergunta embaraçosa, minta descaradamente; quando lhe imputarem alguma responsabilidade, diga que a responsabilidade é de quem o acusa; use uma linguagem de confronto para debochar e estarrecer seu interlocutor ou adversário; utilize sempre as fake news, sejam elas absurdas ou não.

           O presidente norte-americano tem feito isso diariamente – o portal da Veja noticiou que Trump faz, em média, 7,6 afirmações mentirosas por dia. Jair Bolsonaro, que se espelha e idolatra Donald Trump, só sabe espalhar mentiras, alimentar teses conspiracionistas e abusar das famigeradas fake news – tal ídolo, tal idólatra.

            A última (ou penúltima) do Bolsonaro é a “fraude nas eleições de 2018”. Segundo ele, sua vitória se teria dado já no primeiro turno. Mas o presidente não apresenta prova nenhuma de sua afirmação, não diz qual foi a fraude nem quem teria sido o autor – mente na maior caradura e deixa seus interlocutores estarrecidos, sem ação. Essa é a tática.

           Se fraude houve na eleição de 2018, foi a que ele próprio, Bolsonaro, cometeu. Primeiro, prenderam seu grande adversário (e favorito) na eleição presidencial. Segundo, os disparos de fake news às vésperas do pleito foram uma megafraude criminosa – e por por vários motivos. Vejamos!

              Primeiro crime: os disparos eletrônicos, comprovados e confessados, em prol de Bolsonaro custaram 12 milhões de reais e foram pagos por meia dúzia de empresários, entre eles o assanhado Véio da Havan. Segundo crime: tais disparos continham mensagens contra seu opositor (Fernando Haddad). Terceiro crime: as mensagens eram caluniosas e difamatórias. Quarto crime: os autores dos disparos em massa, anônimos e clandestinos, não tinham registro na campanha.

           Nota-se, portanto, que Bolsonaro segue à risca seu ídolo Trump, rezando pela cartilha dos populistas autoritários: atribui aos outros uma responsabilidade que é sua; imputa seus próprios crimes às suas vítimas – e o pior é que tem quem acredita!

          Se as instituições estivessem realmente funcionando, se estivéssemos em pleno Estado de Direito, se o TSE tivesse a independência que devem ter os juízes, a chapa Bolsonaro-Mourão já estaria cassada. As fontes reveladas em primeira-mão pela Folha de S. Paulo, as confissões de empresários que participaram da fraude e que a financiaram, constituem motivos de sobra para a cassação do presidente fake, fraudador.

            Mas, Bolsonaro tem muitos motivos para mentir, pois não tem nada para mostrar. Seu governo (que melhor seria chamarmos “desgoverno”) é, em si mesmo, uma mentira. É a maior fake news, a maior fraude da nossa história republicana.

             E o grande motivo para mentir agora é o colapso da economia. O PIB, após o golpe, desceu a 1,3% e nunca mais passou disso. O pibinho de 2019 é menor que o de 2018 – caiu de 1,3% para 1,1%. E o governo, obcecado pelo ajuste fiscal, não tem a mínima ideia de como sair dessa; está se socorrendo das reservas monetárias do PT – não fossem os 372 bilhões de dólares que Dilma deixou no caixa, Guedes e Bolsonaro estariam na rua.

                A economia brasileira está num beco sem saída, e a equipe econômica do governo, comandada por um ortodoxo da Escola de Chicago, está mais perdida que cachorro em dia de mudança – baixaram os juros para estimular o crescimento, e o que ocorreu foi a fuga de capitais; os investidores foram embora, foram ganhar dinheiro em outro lugar. O mercado já percebeu que Bolsonaro, além de uma fraude, é um agravante da crise.

               Fato é que estamos ladeira abaixo: o dólar sobe, a Bolsa despenca e o governo não reage; prefere falar em fraude nas eleições. Não adota medidas para minimizar os efeitos da crise, tampouco tem um programa para alavancar o crescimento econômico – mas isso já sabíamos desde antes da eleição; o programa de governo do Bolsonaro só não é uma fraude porque ele (programa) nunca existiu.

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