Um juiz truculento

           HOJE, ninguém mais tem dúvida de que o vazamento de uma conversa telefônica entre Lula e Dilma, em 16 de março de 2016, foi o combustível que faltava para impulsionar (e até “justificar” perante a opinião pública) o impeachment sem crime da presidenta.

          Quando a Rede Globo divulgou a tal conversa – que era sigilosa e não podia ser divulgada -, foi um deus nos acuda. O país entrou em polvorosa porque, nessa conversa, Lula e Dilma estariam tramando contra a Justiça: o ex-presidente seria empossado no cargo de ministro para escapar da Lava Jato.

           A divulgação do conteúdo de conversa telefônica, como se sabe, é um crime. Mas, para piorar ainda mais, aquela conversa não fora legalmente interceptada – era produto de outro crime: “grampo” sem autorização judicial. Portanto, não só a divulgação era criminosa, como a captação do diálogo entre os dois ex-presidentes também o fora.

       Essas duas condutas, “grampear” sem autorização de juiz criminal e divulgar a conversa grampeada ferem, respetivamente, o artigo 10 da Lei 9.296/96 e o artigo 151 do Código Penal – são dois crimes, portanto.

         E como não há nada tão ruim que não possa piorar – diz a sabedoria do povo – a conversa telefônica de Dilma e Lula não só foi “grampeada” e divulgada ilegalmente como foi também distorcida, desvirtuada, manipulada descaradamente; o juiz da Lava Jato mentiu para o público brasileiro.

          Nas últimas divulgações do site The Intercept Brasil e da Folha de S. Paulo, que tiveram acesso a relatórios dos policiais que fizeram o “grampo”, ficou claro que Lula da Silva não queria ser ministro de Dilma para fugir da Lava Jato. Não tramava contra a  Justiça. Seu objetivo era trabalhar pela estabilidade política do governo naquele momento tumultuado.

        Lula relutou muito diante do convite de Dilma Rousseff para assumir a Casa Civil. Não queria aceitá-lo. Mas fora solicitado, e até pressionado, por políticos de diversos partidos.

           Havia registro de 22 conversas telefônicas interceptadas, e essas conversas deixavam claro que Lula nem pensava em burlar a Lava Jato. Só que o então juiz Sérgio Moro, ardilosamente, entregou à Rede Globo apenas o áudio de 1min35s no qual Lula, depois de relutar, finalmente aceitava o convite para ser ministro.

           Com esses três crimes (grampo ilegal, violação de sigilo telefônico e manipulação da verdade) o juiz Sérgio Moro conseguiu dois importantes resultados para seus objetivos políticos, digo, objetivos golpistas: derrubou Dilma e espalhou ainda mais o ódio contra o PT e seu líder maior.

          Agora, o site Intercept Brasil, em conjunto com a Folha de S. Paulo, acaba de divulgar que, em outra ação, o juiz Sérgio Moro autorizou uma devassa contra a filha de um dos investigados na Lava Jato, mesmo sabendo que a moça era inocente, não era sequer investigada nem suspeita de crime nenhum.

         O então juiz da Lava Jato cometeu mais esse crime de abuso de autoridade para pressionar o pai da moça a voltar de Portugal, onde mora, e entregar-se aos inquisidores de Curitiba.

        Como se vê, a truculência do juiz Sérgio Moro não tinha limites. Sustentado pela mídia corporativa – com a Rede Globo à frente -, pela grande burguesia nacional e internacional, bem como pelas instâncias superiores do Poder Judiciário, o ex-juiz da Lava Jato fez tábula rasa da Constituição – vilipendiou nossas leis e instituições.

           O Supremo Tribunal Federal, que poderia pôr cobro a tais arbitrariedades, não o fez, pois estava pressionado (como está ainda) pela mídia e – agora se sabe -, também pelo Exército brasileiro – segundo palavras expressas e públicas do próprio ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e do presidente do STF, Dias Tófolli, que admitiram a pressão sobre a Suprema Corte

            Em resumo, foi assim, usando a truculência de um juiz cooptado pela elite golpista, que o país mergulhou na situação deplorável em que se encontra hoje: com suas instituições democráticas combalidas, sua economia estagnada e sua credibilidade internacional em pandarecos – até quando, só Deus sabe.

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