A verdade dói

     NÃO é de hoje que muitos e excelentes juristas do país – e também juristas internacionais de igual peso – vêm alertando para o fato de que os processos instaurados contra o ex-presidente Lula são nulos: pela incompetência processual do juiz, pela falta de imparcialidade do julgador, e pelas graves violação às franquias constitucionais do processo.

           Essas anomalias processuais todas eram mais do que sabidas, tanto pelos que detêm algum conhecimento técnico-jurídico, quanto pelos leigos que olhavam para a operação Lava Jato sem paixão ou moralismo enceguecedores.

          Nem era preciso, portanto, que o site The Intercept Brasil revelasse essas verdades autoevidentes. O problema é que muitos não queriam – e muitos ainda não querem – saber a verdade. O que importava, e talvez ainda importe, era, e talvez seja, a condenação de Lula e a destruição de todo seu legado – a qualquer custo; mesmo ao custo da nossa normalidade institucional.

          O site Intercept Brasil escancarou – para os que querem e para os que não querem ver – que o ex-juiz da Lava Jato tinha lado, e, além disso, violou, ou melhor, aniquilou o devido processo legal no caso Lula. E isso sem contar a falta de provas para a condenação. Não é exagero dizer que os processos contra o ex-presidente não passaram de tramoia jurídica – que na linguagem do foro chama-se “chicana”.

         Para os adversários de Lula, tudo bem. Tudo normal. A Constituição e a lei não passam de simples detalhes. O que importa é a condenação do líder popular petista, com ou sem prova, com ou sem o devido processo legal. Para esses, mais do que a justiça, o que importa mesmo é o justiçamento.

        Mas a verdade tem força. Uma hora ou outra ela sempre aparece. Como dizem os portugueses: “Tudo o que se faz entre quatro paredes acaba subindo ao telhado”. As revelações da Vaza Jato confirmam isso: juiz e acusadores tramavam às escondidas – entre as paredes do fórum – a condenação de Lula.

         E pior: as mensagens vazadas revelam que o ex-magistrado da Lava Jato protegia políticos adversários do petista, como Fernando Henrique Cardoso; protegia o ex-presidente da Câmara, o golpista Eduardo Cunha, com o que revela também que o ex-juiz estava embarcado no golpe.

        Mas, independentemente dessas revelações do Intercept Brasil, já era escancarada a atuação política, e político-partidária, do então juiz da Lava Jato, basta dizer que ele perseguiu Lula e, ato contínuo, embandeirou-se no bolsonarismo.

        Muitos e importantes juristas alertavam para o fato de que o ex-juiz de Curitiba combatia a corrupção corrompendo as instituições. Como já diziam Montesquieu e Rousseau, a pior corrupção é a corrupção das leis. Com muito espírito, alguém afirmou: A Lava Jato corrompeu as leis e acabou corrompendo o combate à corrupção.

          E nisso tudo foi coadjuvada, decisivamente, por uma mídia corrupta, que é porta-voz das elites igualmente corruptas deste país. E parte dessa mídia segue corrompendo e traindo seu compromisso público: é criminoso o silêncio de alguns grandes jornais e revistas, notadamente o silêncio do Grupo Globo, a respeito das mensagens vazadas pelo Intercept Brasil.

       Fazem questão de manter seu público leitor (e espectador) na ignorância, cativo, manipulado. Nestes tempos de pós-verdade, fake news, autoverdade e mentiras a mídia golpista sonega informações para salvar a própria pele, pois o golpe e as falcatruas jurídicas que ela apoiou estão nus, escancarados – a não ser para aqueles que não se importam com a verdade.

         Por outro lado, os membros do Ministério Público, integrantes da força-tarefa Lava Jato, também fizeram das suas; ao arrepio de suas missões constitucionais. Além da atuação parcial, política e partidária, arranjaram um jeito de se autopromover e ganhar dinheiro extra com a operação que comandavam cheios de soberba e vaidade – como se estivessem acima da lei… e dos homens.

         Todavia, a verdade, que já era visível, começa agora a ficar irresistível. O grande problema é que nesta Era da Mentira uns não querem enxergar a realidade; outros, ingênuos (ou nem tanto), preferem apoiar os mentirosos. Sabe-se que a verdade tem força e muitas vezes chega a doer; pode-se até ignorá-la, ou mesmo escondê-la por algum tempo, mas ela vem…

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