Os dois erros do antipetismo

            O ANTIPETISMO está apoiado basicamente em duas convicções: o PT “quebrou” e “corrompeu” o país. Dois enganos. Duas “certezas” que não resistem a uma análise ligeira (nem profunda) dos fatos, dados, números e estatísticas. Nesta época de “autoverdades” (em que cada um escolhe a sua verdade e os fatos que se danem) é meio ingrato chamar a atenção para eles (fatos), mas, ainda assim, examinemo-los friamente.

           Ao longo das gestões do PT à frente do governo federal, o Brasil quintuplicou o seu PIB – saltou de 500 bilhões de dólares para 2,5 trilhões. Pulou de 12ª economia do mundo para o posto de 7ª economia do planeta. É impressionante isso, mas fazer o quê: são números, não há como negá-los.

          Nesse período, as nossas reservas internacionais bateram recorde: 380 bilhões de dólares. Até então, elas não passavam de 37 bilhões de dólares. Sob o PT, tiveram uma elevação de 1.000%. Uma economia com esse nível de estoque, dizem os economistas do mundo todo, está muito longe de “quebrar”. É delírio dizer que uma economia assim está à beira do abismo.

             Os investimentos externos diretos no Brasil, de 2003 a 2012, foram os maiores do mundo. Em 2011, pra se ter uma ideia, o país estava entre os cinco maiores receptores de IED (Investimentos Externos Diretos) do planeta, com 4,37% do fluxo de capitais; só ficando atrás dos Estados Unidos, China, Bélgica e Hong Kong. Isso tudo, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD.

         De acordo com dados do FMI e do Banco Mundial, a renda per capita da população brasileira era de US$ 2.810 em 2002, e dez anos depois já alcançava um aumento de 400%, saltando para US$ 11.208. O salário mínimo, que em 2002, no final do governo FHC, equivalia a US$ 81, aumentou 300% sob o “lulismo”.

             Nos anos do PT, a inflação esteve sempre controlada em um dígito, abaixo dos 8% – permitindo o crescimento econômico sem risco de deflação. E no ano de 2014, quando o governo de Dilma Rousseff passou a ser sabotado, o país tinha níveis baixíssimos de desemprego (4,5%); taxa equivalente à de países do Primeiro Mundo, como a Alemanha, por exemplo.

         O país apresentou superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros da dívida) em todos os anos do PT. O pior dos anos petistas nesse item foi 2013, mas, ainda assim, houve superávit na casa dos 91,3 bilhões de reais. As contas do governo, portanto, ao contrário do que afirmam, nunca estiveram no vermelho; o que prova que não houve gastança irresponsável, como apregoam insistentemente.

           Os que insistem em dizer simplesmente que o PT “quebrou” o Brasil, ignorando esses fundamentos da política macroeconômica dos governos petistas, estão longe, muito longe de analisar a realidade. A economia do país nunca experimentou tanta prosperidade em uma única década – e isso, sem contar os impressionantes avanços sociais do lulismo.

              E a corrupção?

          Bem, a corrupção é velha. Chegou aqui e alastrou-se muito antes, não apenas dos governos do PT, mas da própria existência do PT. O Partido dos Trabalhadores nasceu em 1980, as empreiteiras investigadas na Lava Jato, como a Odebrecht, enriqueceram e se tornaram multinacionais ainda nos anos 60/70 – sob os governos militares.

        Espiem alguns casos de corrupção no governo FHC, que nunca foram sequer investigados: “dinheiro emprestados pelo BNDES para o setor privado comprar empresas públicas; “venda de empresas estatais em troca de moeda podre”; “arquivamento da CPI da privataria”; “compra da reeleição de FHC”; “engavetamento da CPI dos bancos”; “escândalo do Banestado”; “relações do doleiro Youssef com Sérgio de Oliveira, caixa de campanha de FHC”; “escândalo do Sivam”; “escândalo do banco Opportunity”; “propina para a privatização da Vale do Rio Doce”…

             A diferença entre o governo de FHC e os governos petistas é que, antes, a corrupção não era investigada. Um Procurador-Geral da República nomeado pelo presidente tucano chegou a ser apelidado de Engavetador-Geral, tantos eram os escândalos que o Ministério Público então engavetava, sem sequer investigar.

          Enquanto na década de 90, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Polícia Federal realizou insignificantes 48 investigações criminais, na década seguinte, sob o governo do Partido dos Trabalhadores, essa mesma polícia concluiu mais de 1.270 operações investigatórias.

        Só no plano legislativo, o PT criou os seguintes instrumentos para combater a corrupção política e administrativa: “Lei da Ficha Limpa” (Lei Federal Complementar nº 135/10); “Lei do Acesso à Informação” (Lei Federal nº 12.527/11); “Lei Anticorrupção” (Lei Federal nº 12.846/13); “Lei da Colaboração Premiada” (Lei Federal nº 12.850/13).

        No campo das políticas de governo, o PT criou no ano de 2004 o “Portal da Transparência”, vinculado à Controladoria Geral da União; aumentou o efetivo do Departamento de Polícia Federal em 59%, isto é, fez com que o número de servidores desse órgão saltasse de 7.431 para os 11.817 atuais; e entre os anos de 2003 e 2010 criou mais de 600 novas varas da Justiça Federal no país. Além disso, deu plena autonomia ao Ministério Público e à Polícia federal – autonomia que esses órgãos nunca tiveram de fato.

             Como se vê, afirmar que o PT “corrompeu” o país sem considerar esses fatos e dados, é desconsiderar a realidade. A corrupção no país é estrutural, sistêmica (e histórica) – não é uma “corrupção do PT”, como apregoa equivocadamente o antipetismo moralista e conservador.

             Basta ver a delação da JBS – que não por acaso foi feita fora da atuação seletiva da Lava Jato. Os delatores comprovaram à farta que o sistema político brasileiro está, todo ele, subjugado pelo dinheiro dos ricos, pois 1.829 políticos e 28 dos 32 partidos brasileiros foram financiados em caixa dois por essa empresa do ramo de carne processada.

           É por demais óbvio que tal corrupção não é “obra” do PT; é claramente estrutural, histórica. Enquanto o antipetismo não entender isso, os aparelhos repressivos estatais perseguirão apenas os petistas e a corrupção continuará correndo solta – tanto no âmbito do Estado quanto nas engrenagens do sistema político-partidário.

            Em suma, é um grande equívoco dizer que o PT “quebrou” e “corrompeu” o país. Essas afirmações não têm base na realidade histórica e econômica. Trata-se apenas da narrativa que a burguesia, por meio da mídia reacionária – e agora também instrumentalizando setores reacionários do Judiciário e do Ministério Público -, construiu para dar um golpe e Estado e para consumo das massas que apoiaram esse golpe.

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