Caem as máscaras

            MAL começaram os vazamentos do Intercept Brasil – o jornalista Glenn Greenwald assegura que as publicações estão só no começo -, e muitas máscaras já caíram. A primeira delas, como não poderia deixar de ser, foi a máscara de Sérgio Moro, que pretendia se passar por um juiz imparcial e apartidário. Deu ruim!

         As primeiras publicações do site The Intercept Brasil dão conta de que o ex-juiz da Lava Jato atuava em conluio com uma das partes (acusação), e, portanto, não tinha nada de imparcial. As últimas publicações revelaram que Moro pediu aos procuradores da Lava Jato para não investigarem os crimes de FHC, revelando o partidarismo político do magistrado.

            A outra máscara que foi por terra é a do próprio FHC. Assim que começaram os vazamentos contra a Lava Jato, o tucano correu a dizer que tudo não passava de “tempestade em copo d’água”. Uma ova! Não demorou nada e ontem o site revelou que FHC foi poupado de quaisquer investigações, revelando também que seu Instituto recebia dinheiro da investigada Odebrecht.

            Na verdade, a máscara de FHC já caiu há muito tempo.

        Ele é o homem que destruiu o Estado brasileiro com sua privataria, arrecadando míseros 80 bilhões de reais – pra se ter uma ideia: só a sonegação fiscal no Brasil é de 390 bilhões de reais por ano. É o homem que comprou a reeleição por 200 mil reais, pagos a cada congressista. É o professor que mandou esquecer tudo o que escreveu. É o “democrata” que disse nunca ter condenado a ditadura militar. FHC é um blefe!, como o definiu certa vez o jornalista Mino Carta.

          Outra máscara que está caindo é a desses procuradores lá de Curitiba. Se diziam não partidários nem seletivos. Mas a última publicação do Intercept revela que eles acataram a sugestão de Moro para não investigar FHC, e ainda pretendiam investigar o tucano apenas para dar a impressão de que eram apartidários – ou seja, para enganar a opinião pública. Coisa de moleque!

        Cai também a máscara da mídia nativa. Se a Lava Jato era, como comprova o site Intercept Brasil, uma operação seletiva, partidária e contaminada pela parcialidade de um juiz, como é que a mídia empresarial nunca percebeu isso? Ela nunca investigou? Ou investigou e não foi competente para descobrir o que um simples site descobriu?

          Cadê o jornalismo investigativo (onipresente e onisciente) da Rede Globo, da Folha de S. Paulo, do Estadão e da revista Veja? Cadê esses bambambãs da notícia? Estão tentando encobrir as publicações do Intercept Brasil porque elas são a prova inequívoca ou da conivência ou da incompetência da mídia brasileira.

           A verdade é que a grande mídia nacional, aliada histórica do imperialismo ianque, era cúmplice da operação Lava Jato. Sim, cúmplice. Só fez disseminar o antipetismo, incriminar Lula e encobrir as irregularidades processuais dessa operação corrupta e enviesada – fora da lei.

           Não há dúvida também de que cai a máscara do imperialismo norte-americano, que instrumentalizou parte da Justiça brasileira – via Lava Jato -, para tirar de seu caminho os governos petistas que impediam os vendilhões da pátria de entregarem o petróleo, os minérios, a Embraer e outras empresas nacionais aos poderosos do Norte.

           Lembremos: o Departamento de Estado norte-americano treinou a turma da Lava Jato para combater a corrupção no Brasil; o juiz Moro e o procurador Dallagnol estudaram em Harvard; o Departamento de Justiça norte-americano atuou em conjunto com os procuradores da Lava Jato para punir a Petrobras; o grupo de mídia norte-americano Life homenageou várias vezes o juiz Sérgio Moro; a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos também; e algumas universidades americanas não se cansam de paparicar o ex-juiz da Lava Jato.

            Enfim, nem bem começaram as publicações do Intercept Brasil e já caiu a máscara dessa operação. Não adianta dizer que a Lava Jato teve o papel histórico de revelar o “maior esquema de corrupção da história do país”. Isso é mentira; a Lava Jato não revelou nada de novo.

            Só lembrando: o jornalista Jânio de Freitas, em 8 de maio de 1987, fez publicar de forma camuflada na seção de classificados da Folha de S. Paulo um anúncio disfarçado em que identificava, cinco dias antes da abertura dos envelopes (13.5.87), os vencedores da licitação para construir parte da ferrovia norte-sul que ligaria Brasília ao Maranhão – eram as mesmas empreiteiras de hoje.

        Elas vêm enriquecendo desde os anos 1950, e faz mais de trinta anos que um jornalista investigativo comprovou o que a Lava Jato, trinta anos depois, reivindica como sendo seu mérito. Nessas três décadas ninguém investigou nada; a Lava Jato investigou só agora porque o governo era o PT – essa retórica moralista do combate à corrupção engana apenas os incautos.

        Em suma, a Lava Jato não revelou nada que já não se sabia; atuou e puniu seletivamente, partidariamente; e, ainda por cima, corrompeu as leis e a Constituição, mergulhando o país numa profunda crise econômica e institucional sem precedentes, uma crise que não sabemos como nem aonde vai acabar. Lava Jato sem máscara: “Quem não te conhece que te compre!”.

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