Governo de extermínio

           O GOVERNO Bolsonaro é uma aberração histórica. Ninguém ousa apontar, desde a posse do novo presidente, qualquer ação (nem política nem administrativa nem econômica, nem nada!) que pudesse ser tida como correta, oportuna ou mesmo simplesmente acertada – só confusão, briga e retrocesso.

           A primeira confusão foi com os partidos políticos. Bolsonaro cortou relação com eles e se apresenta como político antissistema, antipolítica (apesar de estar no “sistema” e na política há trinta anos). Ele diz que vai fazer a “nova política”, sem partidos, apenas com as tais “bancadas temáticas”. Resultado: o governo não tem base política nenhuma; um desastre.

           A segunda confusão foi com o meio ambiente. Colocou na pasta um homem que está condenado pela justiça de São Paulo por agressão a quê? Sim, ao meio ambiente. Não por acaso, em 40 dias o governo liberou mais de 40 registros de agrotóxicos que estavam proibidos – um por dia. Promete ampliar o desmatamento e fazer um “limpa” no órgão de fiscalização – Ibama.

        E veio mais confusão: dessa vez a bagunça foi no MEC. Bolsonaro militarizou e desarranjou o Ministério de cima a baixo. Já era esperado: todo governo autoritário, não por coincidência,  sempre elege a educação, a cultura e o setor artístico como seus inimigos (Hitler começou queimando livros, tal qual no tempo da Inquisição).

           O corte das verbas do Fundeb acaba com a educação básica e o ensino médio; o corte nas universidades públicas e Institutos Federais de Educação, que em alguns casos chega a 40% das verbas, representa a pá de cal na educação brasileira. Só que aqui, finalmente, o tiro pode sair pela culatra.

         É que esses cortes na educação atingem em cheio a classe média (baixa, intermediária e alta). Tanto é que, em vários estados, o povo já começa a ir para as ruas. Isso pode ser o estopim de uma crise como foi com os “caras pintadas” do Collor de Mello e as manifestações de 13 de junho no governo Dilma Rousseff – ambos os presidentes acabaram no impeachment.

       O governo Bolsonaro é tão estúpido que nem precisa de opositores; ele próprio se encarrega de sua autodestruição.

          Arrematando a insanidade, o capitão abre agora um confronto com a ala militar que ajudou a pô-lo no Planalto e que, a duras penas, o sustenta lá até hoje. Por meio do guru (Olavo de Carvalho), Bolsonaro e filhos abrem guerra contra o triunvirato que controla (e tutela) o governo e o STF: generais Santos Cruz, Heleno Augusto e Eduardo Villas Bôas.

         Aqui pode ser o fim. Com essa nova querela o governo estará cortando a própria cabeça, numa inexplicável autodegola, um verdadeiro autoextermínio.

         Parece que esses militares estão exigindo o “sumiço” de Olavo de Carvalho, que tem humilhado as Forças Armadas como nunca antes alguém ousou fazê-lo. Se Bolsonaro tiver de optar entre o guru que comanda suas milícias digitais e os militares que lhe dão sustentação “analógica” no governo, será uma verdadeira “escolha de Sofia” – dificilmente sairá ileso.

        A única coisa que poderia salvar o governo seria um bom desempenho da economia, com crescimento e geração de emprego. Mas essa alternativa, segundo especialistas, parece muito distante. Pois a crise global do capitalismo sinaliza para o agravamento da recessão.

           Para complicar ainda mais, sabe-se que Bolsonaro não tem plano de governo no campo econômico; tampouco tem equipe para enfrentar a crise. Seu ministro da Economia é um especulador financeiro, pau-mandado de bancos e fundos de investimentos – não está preocupado (nem sabe o que fazer) com produção e emprego.

          Tanto é verdade essa incompetência e miopia da equipe econômica de Bolsonaro, que eles – imaginem só! – pretendem combater o quadro de recessão com medidas recessivas, seguindo à risca o receituário neoliberal – nesse particular, teriam muito a aprender com a “geringonça” portuguesa e o governo da Bolívia, que, no meio da crise, cresce 4,5% ao ano.

            Mas o governo Bolsonaro não aprende nada com ninguém – é incapaz. Seu forte não é o aprendizado, a educação, a cultura. O forte desse governo é a destruição: destrói o sistema político-partidário, destrói as instituições, os direitos, o meio ambiente, a educação…

        Sua obsessão é a guerra cultural contra a esquerda e o extermínio de tudo o que a esquerda fez; seu projeto é armar a população para executar o plano de segurança que ele mesmo não tem; sua grande ufania é ostentar alianças com o imperialismo norte-americano e o sionismo israelense…

            Se os brasileiros não acordarem, não se unirem e não pararem o capitão enquanto é tempo, perderemos o pouco que nos resta: a democracia já estamos perdendo; a Constituição de 1988 já se destroçou; o petróleo já foi embora; a Petrobras está em processo de esquartejamento; a Amazônia, Bolsonaro disse que não é nossa; até o solo brasileiro (Base de Alcântara) ele quer entregar – um abrutalhado exterminador.

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