Pontos indiscutíveis

          HÁ pelo menos três pontos (na verdade, há mais) sobre os governos petistas que são indiscutíveis. Pode-se até não gostar de tais pontos; pode-se até mesmo ignorá-los (como muitos fazem), mas não é possível desmenti-los, tampouco desdizê-los – eles estão matematicamente escorados em fatos, números e estatísticas; não são, portanto, meros argumentos.

         Vejamos.

      De 2003 até o processo de impeachment (que teve início muito antes de 2016), o Partido dos Trabalhadores governou o país (1) com democracia; (2) com prosperidade econômica e (3) com alguma justiça social – o mundo todo reconhece isso; é fato, não é boato.

        Realmente, o governo petista foi democrático e republicano. Repeitou a liberdade de imprensa; prestigiou as instituições, inclusive o Ministério Público e a Justiça Federal, equipando-os e respeitando suas eleições internas; defendeu a liberdade de cátedra e de ensino; ampliou mecanismos de participação popular; não reprimiu movimentos sociais; não censurou nada nem ninguém.

          Na economia, o sucesso foi estrondoso. Basta dizer que sob os governos petistas o PIB brasileiro quintuplicou – eu disse, quintuplicou -, saltou de 500 bilhões de dólares para 2,5 tri; desemprego caiu a 4,5%; inflação contida entre 7% e 8%; reservas internacionais em 384 bilhões de dólares; investimentos estrangeiros bateram na casa dos 65 bilhões anuais… nossa economia pulou do 12º posto para 6ª economia do mundo.

       No campo da justiça social o país impressionou o planeta: 34 milhões de pessoas saíram da miséria; o salário mínimo teve ganhos reais por 11 anos consecutivos, saltou de 80 para 240 dólares; 4 milhões de pobres foram para a universidade; o Brasil saiu do “mapa da fome”; os programas de distribuição de renda foram os mais ousados da história da América Latina.

        Pode-se dizer o que for; não interessa as preferências político-ideológicas de quem quer que seja, esses números são indiscutíveis – são números, não são simples opiniões -, não há, pertanto, o que discutir; não tem bate-boca… O país vai sentir saudade desses números.

        E para se ter uma ideia da reviravolta que o país sofreu desde o impeachment de Dilma Rousseff é o bastante dizer que esses três pontos – democracia, pujança econômica e justiça social – estão em risco; vão sendo pouco a pouco aniquilados.

      O governo atual, apoiado em suas milícias digitais, declarou guerra à imprensa tradicional (até já ameaçou de retaliações a Folha de S. Paulo e jornalistas do Estadão); instituições estão ameaçadas (STF está sob ataque, presidente atual já falou em fechar Congresso, e vice admitiu um “autogolpe” na democracia); liberdade de cátedra e de ensino está sendo reprimida; há políticos e professores que, ameaçados, estão deixando o país.

         A economia desandou. Crescimento zero; desemprego batendo na casa dos 14%; segundo o Dieese, preços da cesta básica tiveram alta generalizada em 2018; investimentos externos caíram 12% no ano passado, com tendência de queda em 2019; só o investimento chinês caiu em 75%; este ano, o país está despencando da 6ª para a 9ª posição no ranking das economias mundiais, ultrapassado pela Itália.

         No campo social, mais descalabro. A classe trabalhadora perdeu direitos da CLT e está em vias de perder a aposentadoria; programas sociais estão sendo cortados – o próximo é o Minha Casa Minha Vida; o Mais Médico está praticamente extinto; verba congelada para saúde e educação; revogação do aumento real do salário mínimo; desmonte da Funai; desmonte da reforma agrária e do Incra… e assim por diante.

          É notório que o país – conduzido por um golpe de sua elite – inverteu o tripé petista: trocou democracia por autoritarismo; dinamismo econômico por recessão; justiça por arrocho social.

        Uma guinada assim tão brusca – definida por razões ideológicas, mas também por incompetência e atraso dos atuais governantes – ficou óbvia demais; e vai ficando cada vez mais óbvia. É que os números não mentem – nem têm ideologia. A matemática é implacável, contra ela os argumentos não ficam de pé; não passam de vozerio embravecido, irritado, raivoso… enfim, desatinado.

__________

http://www.avessoedireito.com

Esse post foi publicado em Avesso e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s