Só piora…

        DE onde menos se espera, daí é que não vem nada mesmo – a frase é do Barão de Itararé e parece aplicar-se inteiramente às erráticas decisões do presidente Bolsonaro. Ele não dá uma dentro; e quando volta atrás, quando tem a chance de corrigir o que fez de errado, erra mais ainda.

          Foi um erro colocar no Ministério da Educação o senhor Vélez Rodríguez. O homem não tinha nenhuma experiência de gestão pública; não conhecia os problemas e as prioridades da educação nacional; não tinha projeto; não tinha competência técnica nenhuma, sua equipe também não – um desastre.

          A pauta do ex-ministro era apenas seguir as orientações do guru Olavo de Carvalho, nomear para os cargos do ministério pessoas (ultraconservadoras) alinhadas ideologicamente com o governo; defender o militarismo e combater o que andam chamando de “marxismo cultural”.

          Pra complicar mais ainda, o ministro – sem pulso e sem conhecimento suficiente para tocar a pasta -, ficou refém das intrigas armadas por seu guru Olavo de Carvalho contra os militares que estão no governo. Vai entrar para a História como o ministro que mandou as crianças cantarem o hino nacional nas escolas e repetir o slogan de campanha do chefe – só isso.

        Agora, para “resolver” todos esses problemas deixados no MEC por um  ministro ruim, o presidente nomeia outro pior – Abraham Weintrub.

         Esse, tal como o ex, não tem nenhum conhecimento de causa, é um aventureiro sem nenhuma competência técnica na área da educação. Não tem experiência de gestão pública. Sua formação acadêmica está incompleta – sem o doutoramento, ainda não chegou sequer a atingir a “cidadania acadêmica” plena.

         Sua carreira profissional se fez toda na iniciativa privada (não por acaso é elogiado por donos de faculdades particulares!), trabalhou exclusivamente na área de finanças, em bancos privados. É, portanto, mais um agente financeiro alinhado a Paulo Guedes; legítimo representante do mercado rentista que nada tem a ver com direitos e educação – só com negócios e lucros.

         Mas, dizem que o novo ministro consegue ser ainda pior que o Vélez. Porque é mais esperto, mais afoito e muito determinado.

        É também um “olavete”, tributário das ideias amalucadas do astrólogo e jornalista Olavo de Carvalho. Tal como o deposto Vélez, promete seguir combatendo o “marxismo cultural” com unhas e dentes. Para tanto, já disse até que é preciso adotar a tática olavista, ou seja, utilizar argumentação irracional e xingar os comunistas – igualzinho ao “mestre” boca-suja.

           O novo ministro é tão desembestado que chegou ao ponto de dizer que o comunismo dominou o Brasil. Pois os nossos banqueiros, os barões da mídia e os grandes empresários são todos comunistas de carteirinha. Na ótica do ministro de turno, a FIESP talvez seja um petit comité da Internacional Socialista.

          É uma maluquice atrás da outra. Obscurantismo. Tem gente que acha que é tanta maluquice que só pode ser uma estratégia deliberada, de caso-pensado; não deve ser pura burrice e anti-intelectualismo; tem de haver alguma coisa por trás dessa insanidade toda!

             E há.

         A que vem o ministro atual, e a que viria o Vélez defenestrado? Eles, ambos, são porta-vozes da “nova direita”, gestados na onda neoconservadora que está se levantando no mundo todo. Chegou a hora deles. Suas estratégias são a caça aos comunistas (neomacartismo) para deixar livre o caminho do rentismo, pois o senhor a que servem é o capital financeiro.

           Não é pura burrice, ou simples birra para com os comunistas. O que eles querem é limpar o itinerário do neoliberalismo – querem afastar do caminho os que defendem o Estado do Bem-estar Social. Essa ladainha anticomunista é também uma fachada; o objetivo maior é destruir as políticas sociais do Estado e garantir o superávit para pagamento de juros a bancos e especuladores – esse povo não dá ponto sem nó!

           Com o novo ministro – mais do que com o Vélez santarrão -, haverá sim combate aos esquerdistas; é claro que haverá repressão a professores e doutrinação antimarxista, de extrema-direita nas escolas; lógico que haverá corte de verbas e intensa privatização do ensino… Mas não apenas por motivos ideológicos.

         Por trás de tudo isso, por trás da perseguição política e do sucateamento do ensino público, estão os negócios: o lucro da banca e os interesses da educação privada empresarial; essa é a lógica de um governo autoritário refém do mercado; de onde menos se esperam políticas públicas, daí é que elas não virão mesmo, senão apenas as políticas privatizantes do neoliberalismo – e a tendência, amigo, é seguir empiorando!

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