Pesquisas e palpites II

        AS ÚLTIMAS pesquisas para a presidência da república (CNT/MDA, Vox Populi, Ibope e Datafolha), em uníssono, confirmam algumas tendências do eleitorado, já detectadas em pesquisas anteriores, de modo que o cenário eleitoral vai ficando cada vez mais claro, mais definido – ou menos incerto.

           A primeira constatação é que Jair Bolsonaro estacionou num patamar próximo a 28% das intenções de votos; Fernando Haddad está em crescimento (cresceu 12% numa única semana) e aparece agora com 17% na preferência do eleitorado; Ciro Gomes caiu alguns pontos e se mantém próximo a 11%; Marina Silva e Geraldo Alckmin caíram e continuam entre 6% e 8%; os demais correm por fora.

            O único crescimento real mesmo, para além da margem de erro, é o de Fernando Haddad. E os novos números e tendências já permitem alguns palpites. O primeiro deles: haverá segundo turno; nenhum dos primeiros colocados na preferência dos eleitores tem condições de liquidar a fatura na primeira rodada.

           Outro palpite: a disputa em segundo turno será mesmo entre Bolsonaro e Fernando Haddad. Este último tende a crescer ainda mais agora que o TSE, por unanimidade, permitiu o aparecimento de Lula no horário eleitoral. O crescimento será significativo: já há pesquisas de bancos e Tracking de partidos políticos indicando que Fernando Haddad está bem acima do que indicam as pesquisas tradicionais.

     Num segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, portanto, entre o candidato da esquerda e o da direita, qualquer palpite será sempre arriscado, porque, como se diz no meio político, “segundo turno é outra eleição” – será preciso esperar que passe a “ressaca” do primeiro turno pra arriscar qualquer previsão.

       Nada impede, porém, algumas especulações. Será uma eleição bastante apertada; provavelmente nos mesmos moldes da última, entre Dilma e Aécio, em que os votos foram disputados palmo a palmo, urna a urna, até que, na última hora, a votação do Nordeste descesse como um tsunami, varrendo as pretensões de Aécio que já se preparava para comemorar a vitória.

        O atual candidato da direita, ou melhor, da extrema-direita, conta com o votos dos ultraconservadores fundamentalistas, daquilo que chamam de “Brasil profundo”. Esses, nunca passaram de 12% do eleitorado. Portanto, Jair Bolsonaro, se fosse contar apenas com os votos daqueles que se identificam com ele e com suas ideais reacionárias, não iria sequer para o segundo turno.

         Mas, além dos eleitores que se afinam naturalmente com Jair Bolsonaro, é quase certo que ele catalisará o voto de boa parte do antipetismo, que já compreende também seu próprio eleitorado. Uma parte dos antipetistas, porém, sobretudo mulheres, negros, pobres e algumas minorias, não engolem o Bolsonaro, e tenderão a votar em branco, anular o voto ou nem sequer comparecer às urnas.

            A grande mídia comercial e conservadora, que defendeu abertamente (até por meio de editoriais) a candidatura da direita em 2014, de Aécio Neves, não terá agora a mesma desenvoltura para defender a candidatura de Bolsonaro, simplesmente porque o candidato e suas ideias são, para dizer o mínimo, indefensáveis.

        Mesmo assim, a mídia reacionária deverá apoiá-lo contra o petista. Mas muitos profissionais da mídia, sobretudo jornalistas “com currículo” e independência, articulistas livres e formadores de opinião, também não engolem o candidato da extrema direita, e dificilmente se empenharão em elegê-lo, como muitos fizeram quando o candidato era o então palatável Aécio Neves.

           Isso permite concluir que Bolsonaro terá menos votos que Aécio em 2014, que teve 48% da votação nas urnas, enquanto Dilma Rousseff venceu com 51%. Isso significa que a abstenção e os votos nulos e brancos, que em 2014 somaram 28% do eleitorado, deverão subir significativamente em 2018.

        E o Haddad? Bem, o petista tem lá seu próprio eleitorado – foi um dos melhores ministros da educação que o país já teve e administrou o maior PIB municipal do Brasil, São Paulo, capital, com 12 milhões de almas. Esse cacife não seria suficiente para elegê-lo, mas ele conta com o apoio decisivo de Lula e com a militância petista, que depois do golpe parece ter acordado definitivamente – resta saber se Haddad repetirá a votação de Dilma.

           Palpite? Digo que sim, Haddad tem tudo pra repetir Dilma Rousseff e se eleger. E vou mais longe: é disparadamente o favorito. Mas, sobre o segundo turno, como diria o conselheiro Acácio, é melhor esperar.

            Candidato por candidato – abstraídos as forças e os partidos que estão por trás deles -, não tem comparação entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro – bastaria um simples debate entre ambos para se perceber logo o preparo do primeiro e o destempero do segundo; a densidade de um e a bizarrice do outro – a candidatura da extrema direita é folclórica, absurda.

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Uma resposta para Pesquisas e palpites II

  1. Vanderley Caixe Filho disse:

    Minha preocupação é que se repita 1989, a rejeição ao PT favoreça o adversário (não tenho dúvidas que o Brizola teria sido eleito). E há duas investigações nas mãos da PF que tem lado – o do Bostonauro – a saber, a facada no #EleNão e do vice-presidente da Guiné Equatorial. Duas camisetas prontas para serem vestidas.

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