Pesquisas e palpites

          PESQUISAS eleitorais – dizem os especialistas – só servem para detectar a tendência do eleitorado num determinado momento. Portanto, dali a pouco o cenário já poderá ser outro e a pesquisa ficará datada; os resultados se alteram constantemente e na verdade o que dá pra captar é apenas a “tendência” dos eleitores – não um resultado com alto grau de certeza ou probabilidade.

       Na pesquisa para a presidência da república, divulgada hoje pelo Datafolha, a “tendência” que se vê dentro da margem de erro é: Bolsonaro estacionado na frente com 26%; Ciro Gomes estacionado em segundo com 13%; Alckmin estacionado em 9%; Marina Silva despencando de 16% para 8% (uma queda e tanto); e, finalmente, Fernando Haddad crescendo de 9% para 13%, igualando-se a Ciro em segundo lugar.

       Ou seja, a “tendência” (“tendência”, repito!) neste momento revela que Bolsonaro, Alckmin e Ciro permanecem estacionados; Marina despenca em queda-livre; e o único que cresce (para além da margem de erro) é Fernando Haddad. Seu crescimento é atestado também pelas pesquisas informais dos bancos.

       Aí começam as especulações.

      A facada no Bolsonaro, que poderia catapultar sua candidatura em razão do sentimento de piedade que às vezes se apossa do eleitorado em casos assim, não alterou nada as intenções de voto; o candidato não saiu “beatificado” desse episódio – muito provavelmente por causa de seu estilo beligerante, truculento; haja vista que sua rejeição também cresce.

        A candidata Marina Silva – ao contrário do que ocorreu na eleição passada quando muitos apostavam que ela chegaria ao segundo turno depois da morte acidental de Eduardo Campos -, parece ter descido para sua posição original, de onde nunca saiu: mera coadjuvante da direita – Marina é a esquerdista que a direita usa pra rachar a esquerda, só isso.

             O ex-governador Geraldo Alckmin parece mesmo incapaz de chegar aos dois dígitos na intenção do eleitor – não empolga nem mesmo os caciques de seu partido. Sua candidatura, provavelmente, afundará junto com o PSDB, que já anda aí, feito Madalena arrependida, a fazer um mea-culpa sobre o fato de ter embarcado no impeachment da Dilma e no governo do Temer.

            Como Fernando Haddad foi o único que subiu, quatro pontos percentuais logo após a oficialização de sua candidatura no lugar de Lula, pode-se especular que já está em movimento o fenômeno da “transferência de votos” – do Lula, impedido pela Justiça, para o Haddad, que o representa perante o eleitorado.

        Apesar de falarmos apenas em “tendências”, uma conclusão já se entremostra muito provável: desta vez não teremos no segundo turno a reedição do fla x flu, PT versus PSDB. O candidato do PT tem chance de ir para o segundo escrutínio, mas o do PSDB está fora: foi abandonado pelo “centrão”, que ele havia conseguido trazer para o seu lado e que era seu maior trunfo.

         O resultado das eleições está incerto? Claro. Toda eleição supõe um resultado incerto. O cenário está muito nebuloso? Mais ou menos. As coisas começam a clarear – pelo menos em termos eleitorais -, e algumas análises, muito embora tímidas, já são possíveis – coisa que até há poucos dias ninguém se arriscava a fazer.

        Prognóstico? É cedo. Para confirmação dessas “tendências” do eleitorado é preciso esperar um pouco mais – esperar mais alguns dias; mais algumas pesquisas. Palpite? Só com muita cautela. O mais provável, pela tendência atual, é Bolsonaro e Haddad no segundo turno; não seria surpresa nenhuma se fosse Bolsonaro e Ciro; nem mesmo Ciro e Haddad na segunda rodada me surpreenderia – mas é só palpite, hein?!

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