Rumores, impressões e delírios

         AFIRMEI aqui, num outro post (nesse aí, logo abaixo), que a delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci será um verdadeiro divisor de águas na operação Lava Jato. E reafirmo: essa operação nunca mais será a mesma depois dessa delação. E isso porque o ex-ministro, além de ter comandado a pasta da Fazenda no governo Lula e a Casa Civil no governo Dilma, portanto, dois ministérios fortes dos governos petista, era, por assim dizer, o “homem do dinheiro”, ou seja, aquele que estabelecia contatos diretos com os grandes financiadores de campanha, uma espécie de interlocutor entre empresários e partido – pelo menos é isso o que se dá como certo por aí.

         Pois bem, ninguém duvida de que o Palocci sabe mesmo muita coisa – tanto no campo político quanto no do financiamento da política. Era um homem bem-informado, quer por dever de ofício (foi ministro); quer por suas andanças no mundo da política desde muitos anos; quer ainda pelo livre-trânsito que tinha (ou tem) no terreno do mercado. Logo, o depoimento de Palocci, sob pressão, tende a ser nitroglicerina pura. Ele mesmo já sinalizou perante o juiz Sérgio Moro que vai delatar empresários do mundo financeiro e da área da comunicação social, ou seja, banqueiros e donos de mídias.

      Há rumores de que a delação do Palocci acerta em cheio o coração do sistema financeiro. Dizem que ele pode delatar empresários de dois grandes bancos brasileiros e de um banco menor. (Notem, estão falando, nada-nada, de dois dos maiores bancos privados do país, desses que comandam as nossas finanças; não é pouca coisa, não) O impacto dessa delação sobre a economia é imprevisível e pode ser mesmo catastrófico – dizem os especialistas. O sistema financeiro, as bolsas de valores (mercado de ações) e muitas empresas importantes, que dependem desse sistema, poderão entrar numa crise sem precedentes. Mas são rumores.

          Por isso, há até quem diga que a delação do Palocci poderá provocar um estrago tão grande que, no final das contas, ela não interessaria a ninguém – nem aos políticos, nem ao mercado, nem à direita, nem à esquerda… nem sequer à Lava Jato. Muito menos ao Brasil. Essa delação pode até “desacontecer”. Afirmam que o melhor mesmo era que o ex-ministro permanecesse calado, que não fizesse delação nenhuma, que respondesse ao processo em liberdade e que, no final, sofresse aí uma punição mais ou menos razoável – com muita pena de multa e pouca cadeia. Mas são impressões.

         Se tudo isso tiver alguma procedência de fundamento, não será de estranhar se nos próximos dias os tribunais superiores concederem alguma ordem de habeas corpus ao ex-ministro Palocci – e sem tornozeleira, hein! (Se isso acontecer, é melhor não pagar mico e sair por aí dizendo que os tribunais superiores são petistas, vermelhos e bolivarianos, como às vezes fazem alguns moralistas simplórios) A coisa é bem complicada; é resolvida pelo alto. Então, não será absurdo nenhum se mandarem o Palocci pra casa a fim de que ele, longe de Curitiba, pense melhor na sua delação – e nas consequências dela. Mas são delírios.

         Quanto aos magnatas de comunicação, que também estariam na mira do ex-ministro, especula-se que apenas um deles seria atingido – o pândego Sílvio Santos -, que está em quarto lugar no ranking dos grupos de mídia, mas que hoje não tem  (nem sei se teve um dia) nenhum peso político. Parece que a poderosa Rede Globo escapa dessa. Exceto se o ex-ministro tiver alguma informação sobre os famosos recursos do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), hoje investigados pela operação Zelotes, em cujo conselho os Marinho sempre se deram bem com suas dívidas e anistias fiscais. Mas são impressões.

       Permanece, ainda a grande dúvida sobre se o Palocci vai ou não vai delatar o Lula e a Dilma. Isso é tudo o que a operação Lava Jato quer. Mas é preciso fazê-lo com documentos. Não basta dizer que Lula sabia disso ou daquilo; que Lula mandou fazer isso ou aquilo. Dizem que o ex-ministro da Fazenda não dispõe de provas documentais que incriminem Lula – só teria “provas” verbais. E dizem também que o Palocci não pretende ser o camicase que acabou com a própria imagem política e com a história de seu partido. Tampouco admitiria ser o algoz de Lula – que foi, por anos e anos, seu líder, seu ídolo, seu parceiro e até amigo fraterno. Mas são rumores e impressões.

       Por fim, uma palavrinha sobre o juiz a quem Palocci vai prestar colaboração premiada. Estão tramitando no Conselho Nacional de Justiça duas reclamações disciplinares contra o juiz Sérgio Moro: por ter vazado para a Rede Globo uma conversa telefônica entre Lula e Dilma; por ter monitorado indevidamente o telefone de Lula e de seus advogados; e por ter divulgado conversas telefônicas particulares, entre a mulher de Lula e seu filho. Essas práticas são criminosas. É isso mesmo: você leu bem: o juiz praticou a conduta tipificada como crime no art. 10 da Lei nº 9.926/96, e nunca foi punido por isso – pode ser que o seja agora, no próximo dia 13 de junho, pelo CNJ, antes da delação do Palocci. Mas são rumores, impressões e delírios.

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2 respostas para Rumores, impressões e delírios

  1. lineu disse:

    sabe tudo .

  2. Eng. Dr. Luiz A. Navarro Araujo disse:

    Como seria bom acreditar que vai fazer diferença a delação do Palocci. O que se vê é quanto mais “bombásticas” são as revelações MENORES são seus efeitos. Ou seja, o núcleo da bandidagem está perfeitamente blindado e esta minha modesta opinião diz também à respeito a todos os poderes (bancos, instituições, fundações, fundos, indústrias, comercio, etc.) A meu ver, estão prendendo os pequenos, “como bois de piranha”, para que a boiada passe sem ser incomodada.
    Portanto, o que está acontecendo é a prisão temporária dos coadjuvantes desta peça de horror e mesmo assim, sem falar na omissão, até agora, da Receita Federal (que deve estar em greve por aumento de impostos) que é tão rígida com os pequenos larápios. Finalmente, onde estão os milhares de dólares roubados? Quando terão coragem de leiloarem os bens roubados? Quando estes vagabundos voltarão para as ruas, sem nenhum tostão, e deixarão de serem sustentados pelo Estado? Quando eles e seus familiares serão alvo de um pente fino da Receita Federal para perderem tudo que nos roubaram? Meu prognóstico – NUNCA.

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