Nem uma coisa nem outra

          AGORA estamos vendo aí todas essas confusões envolvendo o governo provisório que se instalou no Planalto com pose de governo definitivo. Um ministério cheio de ministros investigados ou envolvidos em crimes de corrupção, um presidente interino condenado pelo TSE, gravações telefônicas que comprometem moralmente o partido do governo interino, ministro que já caiu porque confessou ter dado o golpe na presidenta Dilma pra barrar a operação Lava Jato, organismos de combate à corrupção (CGU) perdendo autonomia no novo governo e outras coisas mais.

         Acaba de cair outro ministro de Michel Temer. O nomeado para o Ministério da Transparência pediu demissão agora há pouco porque foi flagrado orientando alguns políticos sobre como fazer para escaparem da operação Lava Jato. E descobriu-se até que o atual secretário-executivo do Ministério da Justiça já se manifestara anteriormente dizendo que as pedaladas que derrubaram a Dilma não eram ilegais, portanto, não havia razão para impeachment. E se não havia razão para impeachment, então o que houve foi golpe. Assim, o atual secretário do Ministério da Justiça admite que integra um governo golpista – é muita trapalhada para um governo só.

            Para arrematar, descobre-se ainda que o filho do presidente interino, com apenas sete anos de idade, já tem um patrimônio imobiliário de 2 milhões de reais, coisa que a maioria dos brasileiros não conseguirão amealhar nem durante uma vida toda de trabalho – e cadê aquela turma que se preocupava tanto com a vida e com o patrimônio dos filhos do Lula? Cadê esses Catões da república? Onde é que enfiaram suas panelas?

             E pra piorar tudo, tem agora essa ameaça de delação do peemedebista e ex-tucano Sérgio Guerra, que dizem ser um verdadeiro homem-bomba, porque conhece os bastidores do PMDB e do PSDB como ninguém. Se o juiz lá do Sul, esse que comanda a operação Lava Jato, fizer com o Sérgio Guerra o que fez com os petistas, isto é, se prendê-lo para extorquir-lhe a delação, dizem que nem o Michel Temer vai se manter no cargo – mas, se o juiz não fizer com o Sérgio Guerra o mesmo que fez com os outros, aí tem.

            Mas, há ainda um outro homem-bomba ameaçando o governo interino de Michel Temer: o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Se ele disser o que sabe, se o juiz da Lava Jato fizer com ele o que fez com os petistas, se prendê-lo para extrair-lhe a delação, o primeiro a cair é o atual inquilino do Palácio do Planalto, cujo governo, pasmem!, está nas mãos de Eduardo Cunha – um dos homens mais truculentos do atual Congresso, enterrado até à raiz dos fios de cabelo em denúncias de corrupção política e outros crimes.

            Em suma, é ridículo pensar que colocaram o atual governo lá no Palácio do Planalto justamente para acabar com a corrupção!

            E pior. Além de não acabarem com corrupção nenhuma, acabaram mesmo foi com a nossa democracia e com o nosso Estado de Direito: ficamos sem governo limpo e sem democracia. Tava na cara que esse moralismo desavisado, que explodiu de repente no país, induzido pela mídia golpista, mais dia, menos dia, acabaria era dando com os burros n’água, e não deu outra – bem que o grande compositor Tom Jobim dizia: “O Brasil não é para principiantes”.

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