Nesse pau tem mel

           TENHO quase certeza de que ao final deste post alguns leitores dirão que estou delirando; que as ideias aqui expostas não passam de pura “teoria da conspiração” e que, portanto, devo estar acometido de alguma paranoia grave – dessas que distorcem a visão e que nos impedem de enxergar corretamente a realidade. Até admito que nos últimos tempos não tenho enxergado muito bem a realidade. E além de não enxergá-la bem – o que não é exatamente uma novidade -, não tenho conseguido sequer acreditar no pouco que enxergo: o que se tem me apresentado como realidade, parece-me inacreditável; e o que sempre me pareceu inacreditável, me tem sido apresentado como realidade

            Pode ser que haja alguma paranoia de minha parte – não nego. Mas veja se não tenho um pouco de razão; um pouquinho que seja, vai! Por exemplo: eu acho inacreditável que no Brasil um juiz de direito possa pintar e bordar sobre o nosso sistema de garantias constitucionais, possa mandar prender e mandar soltar quem ele bem quiser, possa encarcerar pessoas ilegalmente para obter confissões criminais, e ainda por cima utilizar o maior grupo de mídia do país, a Rede Globo, para divulgar seus decretos de prisão e desmoralizar publicamente os presos e os suspeitos, contrariando tudo o que diz a Constituição da República.

         Eu acho também inacreditável que, depois de aliar-se a esse grupo de mídia empresarial – um grupo portanto privado -, o mesmo juiz de direito receba (e aceite) o prêmio de “personalidade do ano” concedido pela poderosa Rede Globo, só porque ele, juiz, vem investigando, prendendo e condenando os partidos e os políticos que a Rede Globo quer que ele investigue, prenda e condene.

             É também inacreditável que esse juiz de que estamos falando, depois de cometer inúmeras ilegalidades contra inúmeras pessoas, e depois de cometer ilegalidades até mesmo contra a presidenta da república (e foram tantas as ilegalidades que ele próprio chegou a pedir desculpas ao Supremo Tribunal Federal – outra coisa inacreditável), depois de desestabilizar o governo federal com suas decisões e atitudes ilegais, esse mesmo juiz vá aos Estados Unidos pra ser homenageado por outro poderoso grupo de mídia, a Revista Time, como um dos “cem homens” mais influentes do mundo.

             E a coisa vai ficando mais inacreditável ainda quando verifico que esse Grupo Time, que agora considera o juiz de que estamos falando uma das pessoas mais influentes do mundo, é o mesmo grupo que em 1962 fez um aporte de 6 (seis) milhões de dólares em favor da então recém-fundada Rede Globo – essa mesma rede brasileira que considera o juiz de que estamos falando a “personalidade do ano” -, cujo capital, na época, era de apenas 600 mil cruzeiros, ou 200 mil dólares.

               Juntando as pontas dessa história toda, fica muito esquisito que o juiz de direito de que estamos falando seja homenageado aqui dentro pela Rede Globo, e seja homenageado também lá fora pela Revista Time – exatamente os dois grupos privados de mídia que têm uma parceria financeira desde os anos 60; precisamente os anos em que houve um golpe de Estado no Brasil apoiado de maneira explícita pela recém-nascida mídia nativa, ou seja, pela Rede Globo.

               Eu acho isso tudo muito esquisito. Não me cheira bem. Às vezes acho até que é um escárnio com a inteligência média da população. E acho mais esquisito ainda que tudo isso aconteça debaixo do nariz dos brasileiros – às claras, sem nenhum disfarce. Como se fosse natural que um juiz de direito se aliasse a um grupo de mídia privada pra exercer suas funções públicas; como se fosse natural que a mídia privada homenageasse um juiz que comete ilegalidades que ele mesmo admitiu; e como se fosse natural que esse juiz recebesse homenagem da mídia estrangeira, mesmo tendo cometido as ilegalidades que cometeu.

             É esquisito ou não é? – juiz de direito aliado à mídia empresarial; mídia empresarial homenageando juiz de direito; mídia de um país imperialista considerando juiz de direito uma das pessoas mais influentes do mundo; juiz de direito aceitando essas homenagens todas… Eu nunca vi isso! Bem, comandante, eu avisei: no final deste post você poderia acabar concluindo que estou mesmo completamente paranoico. Que ando com mania de perseguição, e que as minhas ideias não passam de pura “teoria conspiratória”.

           Desculpe, portanto, ter tomado tempo com minhas paranoias. Mas que acho tudo isso muito esquisito, eu acho.  E o que eu acho mais esquisito ainda, o que não me entra na cabeça de jeito nenhum, é que tem muito brasileiro acreditando nisso tudo: nessas homenagens midiáticas, nesses títulos e nessa bajulação a um juiz de direito que tripudiou sobre a Constituição brasileira, que conspurcou nosso Estado de Direito, que violou sistematicamente nosso sistema de liberdades constitucionais, que prejudicou a economia nacional, que pôs em dúvida a imparcialidade do Poder Judiciário, e que ajudou a derrubar um governo legítimo.

            Posso estar muito equivocado, ou até mesmo muito paranoico, mas eu acho que aí tem. Pode parecer absurdo, pode ser inverossímil, mas ninguém me tira da cabeça que nesse pau tem mel… E pode ter também petróleo, pré-sal, Petrobras, água, minério… É melhor não dormir de toca nem de botina, não; nem acordar tarde demais, viu comandante?!

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