Erro crasso da Dilma

      O SERVIÇO da dívida pública brasileira (juros e amortizações) consome 45% do orçamento anual da União – todos sabem. Em 2015 esse percentual chegou a 47% do orçamento federal e o país desembolsou, segundo a Associação Auditoria Cidadã da Dívida, algo em torno de R$ 1,356 trilhão para sustentar os compromissos da dívida pública – interna e externa.

        A nossa dívida pública, sabem os especialistas, foi constituída e tem sido ampliada ilegalmente, mediante prática de anatocismo (juros sobre juros); correção pela taxa referencial básica, que é uma das maiores do mundo SELIC); e aplicação dos chamados “juros flutuantes”, ou seja, juros definidos unilateralmente pelo agente financeiro emprestador.

      Essa dívida (ilegal e imoral) é uma das grandes causas da nossa persistente dependência econômica, e do nosso atraso social (Celso Furtado). Trata-se de um verdadeiro crime praticado contra todo o povo brasileiro. Não é admissível que o governo federal destine apenas R$ 110 bilhões anuais para a saúde e 700 bilhões de reais para pagamento de uma dívida ilegal e impagável.

          Apesar disso, a presidenta Dilma Rousseff acaba de vetar uma emenda ao Plano Plurianual para 2016/2019 que propunha a necessária auditoria da nossa dívida pública com participação de entidades da sociedade civil, aliás, conforme manda o art. 26 das disposições constitucionais transitórias, da CF de 1988.

            É incompreensível que uma presidenta que peitou o rentismo pela redução histórica da taxa referencial de juros para 7,25% em 2012, que sancionou a chamada Lei do Acesso à Informação, e que criou o Portal da Transparência venha agora vetar uma auditoria necessária e transparente sobre essa dívida brasileira que é, não nos enganemos, um crime vergonhoso cometido contra a nação.

        Trata-se de um erro crasso da presidenta Dilma Rousseff. E o mais curioso é que esse erro a mídia nativa não denuncia, não condena, não critica. E não o faz porque é beneficiária direta e indireta do rentismo, ou da ciranda financeira que sangra os recursos públicos do governo brasileiro.

         E os moralistas que andam aí a exigir cadeia pra todo o mundo passam ao largo de escândalos de corrupção como esse da dívida. Ficam aí pelas ruas e pelas casas batendo panela, gritando contra os prejuízos de R$ 50 bilhões causados pelo “mensalão” e pelo “petrolão”, juntos, mas nada dizem sobre os bilhões e bilhões de reais pagos indevidamente pelo povo brasileiro por uma “dívida obscena”.

          É por isso que a coisa não vai. A mídia empresarial só mostra e aumenta os erros do governo quando esses erros lhe convêm. Todavia, quando o governo erra feio (e todo governo erra, todo governo é criticável!), mas erra em benefício dos poderosos, a mídia esconde esses erros, e os moralistas “cabeça-de-mídia” nem desconfiam que o governo errou – e seguem batendo as suas panelas.

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