São todos Cunha, iguaizinhos

     ASSIM que a oposição elegeu o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara Federal, derrotando o candidato do PT Arlindo Chinaglia, a direita comemorou festivamente porque o deputado eleito era adversário de Dilma Rousseff e tocaria os pedidos de impeachment contra ela até o fim.

       No dia seguinte ao da eleição na Câmara dos Deputados, as manchetes dos jornais burgueses estampavam a derrota política da presidenta da república, e a banda reacionária da sociedade comemorou essa derrota como uma espécie de revanche, um terceiro turno das eleições presidenciais.

        Os revoltados e reacionários, que andaram frequentando ruas e avenidas deste país para pedir o impeachment da presidenta Dilma, pedindo até volta dos militares ao poder, se empolgaram tanto com a vitória do Cunha na presidência da Câmara que chegaram mesmo a empunhar faixas e cartazes com a patética frase: SOMOS TODOS CUNHA.

          E são mesmo, iguaizinhos ao Cunha: têm o mesmo discurso moralista do Cunha, cultuam com a mesma devoção o evangelho do Cunha; têm a mesma ideologia política do Cunha; viram a casaca e mudam suas “opiniões esclarecidas” ao sabor das conveniências, igualzinho ao Cunha.

      Agora que o polêmico presidente da Câmara dos Deputados passou a chantagear descaradamente o PT e a presidenta Dilma Rousseff, utilizando os pedidos de impeachment como moeda de troca para obter o apoio da base aliada do governo e livrar-se de uma cassação, a direita passou a excomungar o Cunha.

        Agora, os jornais burgueses e a banda reacionária da sociedade mudaram de lado. Estão exigindo, em nome da moralidade e da ética, que o PT e o governo trabalhem para afastar o Cunha da presidência da Câmara, cassando-o em seguida, pois um homem como ele não pode ficar na política – e ninguém mais quer SER O CUNHA.

       Essa direita anda perdida. Faz qualquer negócio pra derrotar a esquerda no tapetão porque, nas urnas, parece que não dá mesmo. Portanto, se for pra derrubar a presidenta Dilma, até o Cunha serve – sinal de que o objetivo da direita não é moralizar coisa nenhuma, o objetivo dela é, como sempre foi, tomar o poder.

        Pois é, o candidato do PT e do governo para a presidência da Câmara dos Deputados não era o Cunha – era o parlamentar petista Arlindo Chinaglia. Quem colocou o Cunha lá na presidência da Câmara foi a direita, logo, não pode ficar agora exigindo, hipocritamente, que a esquerda corrija os “erros” dela (direita), pois, como diz aquele velho ditado, “Quem pariu Mateus que o embale”.

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