A velha luta de classes

           O GANHADOR do Prêmio Nobel de Economia de 2008, professor Paul Krugman da Universidade da Cidade de Nova Iorque, está de malas prontas para desembarcar no Brasil em novembro próximo. Entrevistado pelo jornal Folha de S. Paulo, o economista norte-americano emitiu algumas opiniões, sobre o Brasil e o mundo, que certamente não terão agradado nem um pouco aos “mensageiros do apocalipse”, que ainda teimam em ver um enorme colapso da economia brasileira, por culpa do governo atual.

       O economista Paul Krugman começa deixando claro que, no momento, há uma “fraqueza da economia global”, destacando que os mercados emergentes, como é o caso do Brasil, enfrentam também problemas relacionados à confiança de investidores, queda no preço das commodities, e aumento de suas dívidas públicas atreladas ao dólar.

           Perguntado especificamente se ele tinha alguma ideia sobre o tamanho e a gravidade da crise econômica brasileira, o acadêmico disse que os fundamentos da nossa economia “não chegam nem perto de estar tão ruins quanto em episódios anteriores”, concluindo que a nossa crise está muito longe de ser comparada a outras crises do passado. Segundo o professor de Nova Iorque, a economia brasileira não está apresentando o mesmo desempenho da última década, mas, a nossa situação fiscal não é desesperadora e as pessoas, na verdade, “estão exagerando”.

           Sobre o rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor’s, agência de classificação de risco a serviço de investidores estrangeiros, o Nobel de Economia foi irônico. Para Paul Krugman, essas classificações “não têm efeito nenhum” nos países avançados. Podem até “importar um pouco” para o Brasil, mas “bem menos que antes”. Tais classificações feitas por agências de rating, segundo ele, só servem para “gerar manchetes”.

           Se tudo isso for verdade, se o Nobel de Economia estiver mesmo com a razão, por que é que os “entendidos” no Brasil “andam exagerando” sobre o tamanho e as causas da nossa crise, dizendo que ela é uma crise sem precedentes na história deste país?

          Se os fundamentos da economia brasileira estão sólidos, se a crise econômica é global, se o Brasil está longe de uma bancarrota, se o rebaixamento do país por agências de classificação de risco é quase uma piada (pra não ser levado a sério) por que será que nossos especialistas insistem tanto em maximizar a crise e dizer que ela é culpa exclusiva de um governo que gasta muito dinheiro com os pobres?

             Ah, e tem ainda uma última perguntinha: por que é que os nossos “entendidos” nem tocam no assunto da dívida pública (interna e externa) que em 2014 drenou 45% do orçamento federal (5% do PIB) para o caixa dos bancos e para o bolso dos rentistas?

              Quer saber por quê? Quer saber mesmo? Pergunte ao Paul Krugman. Ele vai dizer o que já disse: são “as forças poderosas que têm interesse na desigualdade”, isto é, as forças que querem reduzir a ajuda aos pobres e aumentar os ganhos dos ricos. Aliás, o premiado economista afirmou claramente à Folha de S. Paulo que, no fundo, “essa discussão é sempre sobre desigualdade”.

          Quer saber mais? Dê uma passadinha sem compromisso lá pelas páginas do Manifesto Comunista de Marx e Engels, publicado em 1848 e assustadoramente atual ainda hoje. Ele vai lhe revelar que todo esse bate-boca sobre a economia brasileira é culpa de uma Velha Senhora, e não passa de mais um capítulo daquela que é a “história de todas as sociedades” – a velha e sempre nova “história da luta de classes”.

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