Desse jeito não vai

               TEM COISA que a gente vê logo de cara que não pode dar certo! E se der certo, é porque tem coisa errada. É exatamente isso o que ocorre com essa espeloteada ação de impeachment que estão pretendendo instalar contra a presidenta Dilma Rousseff.

          Começa que o motivo escolhido pelos autores do requerimento, as “pedaladas fiscais”, pode ser uma irregularidade contábil, mas está longe de constituir um crime de responsabilidade que pudesse justificar o impedimento de um presidente da república.

              Depois, os próprios autores do requerimento já são um problema: trata-se de um antigo jurista despeitado e dois outros professores de direito que se destacam muito mais pelo perfil freacionário do que por alguma representatividade jurídico-política.

        Ajunta que o homem encarregado de analisar o processo de admissão do impeachment contra a presidenta, o deputado Eduardo Cunha, está enterrado até às raízes do cabelo em escândalos de corrupção política e contas ilegais no exterior.

             Deve-se acrescentar ainda o fato de que os parlamentares da oposição, que insistem nessa aventura jurídica, ou representam o chamado “baixo clero” do Congresso Nacional, ou são considerados verdadeiros pitbulls pela notória falta de habilidade política.

          Não se pode esquecer que o “representante” da classe trabalhadora nessa arriscada operação golpista é o deputado Paulinho da Força, notório dirigente sindical pelego que nunca representou eficazmente os trabalhadores, pois sempre foi o preferido dos patrões.

           Complicando ainda mais, vê-se que a pretensa “base social” para o impeachment são aqueles desacreditados movimentos fascistas surgidos na internet, liderados por pessoas como o meninote Kim Kataguiri, que é uma piada como pretenso líder popular.

        Para arrematar, o movimento pró-impeachment está sendo inflado artificialmente pelo que há de pior na mídia brasileira: veículos de comunicação e jornalistas reacionários, cuja obsessão é aniquilar a esquerda e os partidos populares no Brasil.

         Pois é, tem coisa que não tem condição de dar certo; coisa que a gente percebe rapidinho que não pode ir pra frente de jeito nenhum – nem com reza braba. Se for pra frente, se der certo, é porque alguma coisa deu errado.

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