Arrogância, maldade e traição

         O JORNAL Folha de S. Paulo sempre desfrutou da fama de ser independente, democrático e imparcial. Adotando a defesa abstrata (só abstrata) de valores como o pluralismo, a liberdade de expressão e a diversidade de ideias, a Folha sempre apregoou a própria virtude de abrir espaço aos articulistas e intelectuais dos mais diversos matizes político-ideológicos – inclusive aos progressistas de esquerda. Para provar esse pluralismo e o suposto compromisso com a verdade, foi um dos primeiros, senão o primeiro jornal do país a ter um ombudsman – mas o ombusman da Folha e nada…

           Apesar dessa retórica do pluralismo e da autoproclamada “neutralidade política”, não é segredo pra ninguém que a linha editorial da Folha de S. Paulo, com todo sua retórica aparentemente progressista e imparcial, sempre optou, à direita, pela defesa dos valores clássicos do liberalismo capitalista – nem se esperava que fosse diferente. Todavia, em seus dois últimos editoriais, nos dias 13 e 14 de setembro, o jornal paulistano extrapolou, desceu mesmo do muro e resolveu apelar para a arrogância política, para a perversidade social e para um antinacionalismo explícito e traidor.

             No editorial de capa do dia 13.9.15, intitulado “Última chance“, de forma arrogante e presunçosa, a Folha de S. Paulo se autoconcedeu o poder supremo de dar à presidenta da república Dilma Rousseff uma espécie de ultimato: ou faz as reformas que o iluminado jornal considera necessárias para o país, ou abandona suas “responsabilidades presidenciais e o cargo que ocupa”. No mesmo editorial, a empresa da família Frias abandonou decididamente sua pretensa imparcialidade e assumiu a defesa explícita das políticas neoliberais, exigindo, sem sutileza nenhuma (como costumava fazer até há pouco), o perverso corte de gastos na previdência, na saúde e na educação, que penaliza duramente a classe trabalhadora.

            No dia seguinte (14.9.15), a Folha publicou novo editorial; desta vez sob o título “Operação de guerra”, pintando um quadro negativo e falacioso acerca da situação financeira da Petrobras para justificar e propor, também explicitamente, que a nossa petroleira entregue a exploração do pré-sal ao setor privado, como se ela não tivesse recursos (nem tecnologia) para tal empreitada.

              Em que pese a arrogância, a insensibilidade social e o declarado compromisso com interesses do capital privado (inclusive estrangeiro), desta vez a Folha de S. Paulo foi honesta. Agora, pelo menos, o jornal mostrou sua verdadeira face e deixou de vender a falsa imagem de um jornalismo independente, imparcial, comprometido com a democracia e com os interesses nacionais; deixou de dissimular seu conservadorismo e suas alianças com o poder econômico.

            Com esses dois editoriais emblemáticos cai definitivamente a máscara da Folha de S. Paulo. O seu lado (ou trincheira política) deixou o disfarce e agora está mais claro do que nunca: trata-se de um jornal partidário, que combate o Partido dos Trabalhadores e a classe trabalhadora; trata-se de um adversário explícito das classes populares; e os seus compromissos são mesmo (como já se sabia!) com o grande capital privado – nacional ou estrangeiro.

            Depois dessa, o melhor que fariam os Frias era mudar logo o inadequado slogan da empresa: Folha de S. Paulo – um jornal a serviço do Brasil – porque a serviço do Brasil ela não está. Está claro que seus serviços são prestados a quem financia o jornal. Enfim, parece que o Grupo Folha começa a abandonar de fato a retórica mistificadora da imparcialidade, do pluralismo e da neutralidade política, aliás, coisas que só serviam mesmo para iludir os “inocentes midiáticos” ou “embalar o sono dos bois”.

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