Tá com cheiro de “mico”

     OS BRASILEIROS já notaram que o “golpe do impeachment” está fazendo água por todos os lados, e parece que hoje (hoje, bem entendido) são pequenas as chances de arrancar a presidenta Dilma Rousseff do Palácio do Planalto. Isso porque, além de contrariar a Constituição Federal, a soberania popular e os princípios do Estado Democrático de Direito, o impedimento da presidenta parece não ter mais o apoio de ninguém – nem do povo nem da grande burguesia.

   Os movimentos sociais, o movimento sindical (sindicatos e centrais de trabalhadores), a militância petista, as classes populares e grande parte dos 54 milhões de votantes, que elegeram Dilma Rousseff no último pleito de 2014, saíram decididamente em defesa do mandato da presidenta, defendendo o resultado das urnas, a normalidade institucional e a frágil democracia brasileira.

   De fato, nesta semana vários sindicalistas passaram a ocupar as imediações do Instituto Lula em São Paulo, onde permanecerão acampados em vigília, defendendo esse Instituto até segunda-feira; a Marcha das Margaridas levou incríveis 70 mil militantes a Brasília e encheu o estádio Mané Garrincha para defender o mandato de Dilma; vários movimentos sociais, centrais sindicais e sindicalistas estiveram no Palácio do Planalto para manifestar a firme disposição de agir em legítima defesa do mandato da presidenta e da democracia.

   Nesse mesmo sentido, a grande mídia burguesa, que vinha manipulando a opinião pública e atiçando o povo contra o Governo Federal, contra o PT e contra o mandato da presidenta Dilma, parece que já bateu em retirada, abandonou o barco do impeachment e mudou completamente o discurso e a estratégia.

   Com efeito, a Rede Globo soltou um editorial (jornal O Globo) defendendo o mandato da presidenta e condenando a oposição irresponsável que pretendia apeá-la do poder; os grandes jornais e as grandes revistas (com a eterna exceção da revista Veja) já deixaram de insuflar o golpe, e até os sites da mídia nativa, que estimularam pela internet as anteriores manifestações  pró impeachment, nem sequer estão noticiando os protestos contra o governo no próximo domingo, dia 16 de agosto de 2015.

   A burguesia industrial, por meio da FIESP, da FIRJAN e da CNI, adotou posicionamento idêntico ao da mídia empresarial, defendendo em notas expressas e declarações de seus representantes, o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, com a condenação de qualquer tentativa de impeachment que, neste momento, soaria qual verdadeiro golpe de Estado.

   A burguesia rentista também não deixou por menos, e o presidente do segundo maior banco privado do Brasil (Bradesco), o senhor Luiz Carlos Trabuco, veio a público para elogiar a atual política econômica do governo, propondo uma “grande convergência” que faça o país superar o “ciclo do quanto pior, melhor”, num apoio explícito à manutenção da presidenta no cargo até 2018.

   O Senado da República, por meio do seu presidente Renan Calheiros, apareceu com a tal “Agenda Brasil”, que reúne um conjunto de propostas para a retomada do crescimento econômico, com o claro objetivo de garantir a estabilidade política no país e isolar o “incendiário” Eduardo Cunha que apostava numa “pauta bomba” para desestabilizar ainda mais a presidenta da república.

   Dessa forma, diante do levante dos movimentos sociais, e sem o apoio da grande mídia burguesa, das elites empresariais e da classe política, parece que aqueles supostos “movimentos” de ultradireita que pretendem fazer uma grande manifestação no próximo domingo, para pedir de novo o impeachment de Dilma Rousseff, ficaram mesmo sozinhos, completamente “órfãos” e com o rojão no colo.

   O sucesso ou o êxito dos protestos da direita no domingo não serão medidos apenas pela quantidade de gente na rua, pois é possível que um bom número de brasileiros (uns bem intencionados outros nem tanto) saiam de casa para protestar. Tanto a vitória quanto o fracasso das manifestações serão medidos depois, pela repercussão na opinião pública e pelas consequências políticas que produzirem, ou não.

   Posso estar enganado, mas essa empreitada de domingo nas ruas do país tá me cheirando um grande fiasco, isto é, um grande “mico” para a turma do “quarto turno” das eleições presidenciais – essa turma inconformada que não sabe perder e não para de espernear. E por falar em “mico”, lembrei-me do “macaco Simão” que costuma repetir: vai que eu não vou.

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Acesse http://www.outrasprosas.wordpress.com

 

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2 respostas para Tá com cheiro de “mico”

  1. Lineu disse:

    aqui em Taiaçu o Xulão disse que vai , kkkkkk

    vai xulãooooooo

  2. Vera Lu disse:

    Oxalá seja um. mico bem grande.

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