Foi medo

           DISSEnum post anterior (Era golpe), que a repentina mudança de discurso da Rede Globo, que passou a defender a permanência de Dilma Rousseff no cargo, opondo-se expressamente ao impeachment da presidenta, foi sem dúvida uma atitude determinada pelo MEDO – e foi mesmo. Hoje, o blog Viomundo (www.viomundo.com.br) revelou que o jornalista João Roberto Marinho esteve nesta semana em Brasília (5.8.15) para receber uma homenagem prestada aos 50 anos da Rede Globo no Senado Federal e solicitou uma reunião com todos os senadores do PT.

            A reunião foi marcada por intermédio do líder do Partido dos Trabalhadores no Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE), que convidou 13 dos parlamentares petistas, com o comparecimento de apenas 9 deles. O motivo da reunião solicitada por João Roberto Marinho era discutir o problema da “governabilidade” e, consequentemente, o cenário político que apontava mesmo para o impedimento de Dilma Rousseff. O jornalista desejava saber como é que os senadores petistas estavam enxergando essa situação e o que eles imaginavam em termos de sustentabilidade política da presidenta da república.

             Os senadores estavam irados com uma charge do Chico Caruso, publicada no jornal O Globo, que pedia a prisão do ex-presidente Lula, e a primeira coisa que o dono da Rede Globo ouviu foi uma reclamação unânime dos presentes em relação à maneira tendenciosa com que sua empresa de comunicação vinha tratando o Governo Federal e o PT. A segunda coisa que os senadores disseram ao magnata da comunicação foi que não estavam contentes com o clima de “cumplicidade” entre os jornalistas da Rede Globo e os procuradores de Curitiba.

           A terceira coisa que os parlamentares petistas disseram ao “barão da mídia”, segundo o senador Humberto Costa, foi que era um erro político gravíssimo derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita, e destruir o maior líder popular do país com ameaças de processo e prisão. Os senadores disseram claramente que era muito perigoso para a estabilidade político-institucional do país destruir um grande líder popular, um ícone que seria o único interlocutor político capaz de sentar à mesa do diálogo e falar com legitimidade em nome de milhões de pessoas.

              Por fim, deixaram claro também que eles não tinham qualquer controle sobre a base social do petismo e que, em caso de uma revolta popular, que em 30 dias poderia “incendiar o Brasil”, não estariam dispostos a atuar como “bombeiros”. O magnata da comunicação enfiou o rabo no meio das pernas, voltou para o Rio de Janeiro e, no dia seguinte, o jornal O Globo soltou um editorial defendendo o mandato de Dilma Rousseff; e o Jornal Nacional, na mesma linha, exibiu matéria que era praticamente uma propaganda política favorável à presidenta da república.

                 O fato é que a elite burguesa (e também grande parte dos pequenos-burgueses da classe média) é muito narcisista e autocentrada. Isto é, olha para a própria realidade e pensa que está diante do único modelo ideal do mundo. Desconhece a realidade pulsante, a energia e a força das classes populares. Força fermentada pela indignação nos subterrâneos de uma sociedade injusta, desigual e dominada por interesses antidemocráticos, antinacionais e antipopulares.

                Desta vez, ao contrário do que fez em 1964 quando apoiou o golpe militar, a Rede Globo ouviu o rugido das ruas e recuou a tempo. É claro que essa empresa poderosa continuará fazendo oposição ao governo do PT até derrotá-lo, mas parece que agora pretende agir por meio das vias institucionais. Seria ingênuo acreditar que a Rede Globo está preocupada com o fortalecimento da democracia brasileira. Seu recuo deve-se ao fato de que uma revolta popular nesta altura tenderia a ser muito mais incontrolável do que os protestos de junho de 2013 quando.

              Não nos esqueçamos, durante os protestos de junho muitas agências bancárias, lojas de carros importados e veículos das emissoras de televisão foram os alvos preferidos dos manifestantes mais exaltados. É óbvio que o magnata da comunicação voltou de Brasília e, por cautela (ou medo), resolveu recuar – resta saber até quando e quais serão agora os caminhos que pretendem seguir essa malta golpista.

__________

http://www.avessoedireito.com

Esse post foi publicado em Avesso e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s