Veja, que horror!

            NUM PAÍS que permite a mais escandalosa concentração e o mais pernicioso monopólio dos meios de comunicação social, onde é permitida a exclusividade e a propriedade cruzada dos veículos de comunicação de massa, é compreensível que o público não tenha alternativa senão informar-se através daquilo que publicam meia dúzia de grandes empresários da comunicação.

          Num país em que é permitida a chamada “propriedade cruzada” dos meios de comunicação, em que um mesmo grupo, família ou pessoa podem acumular a propriedade privada de jornais, revistas, e quantos canais de rádio e televisão quiserem, é compreensível que as opiniões sejam padronizadas e dominadas pelo senso comum, que impõe padrões de comportamento, de alienação, de consumo, de visão de mundo e, claro, de opções políticas.

              Em um país onde a propriedade dos meios de comunicação social está concentrada rigidamente nas mãos de poucos empresários, não mais que meia dúzia, donos dos maiores veículos privados de comunicação de massa, é compreensível que a opinião pública, sem alternativas, não tenha pra onde correr e acabe mesmo assumindo os valores e as convicções conservadoras da imprensa burguesa e seus competentes serviçais muito bem pagos.

          Até aí tudo é compreensível. O que não dá pra compreender é que um veículo de comunicação de massa como a revista Veja, da Editora Abril, possa continuar mentindo, caluniando, criando factoides, fazendo propaganda política, desinformando a população brasileira e semeando o ódio entre os brasileiros. A edição da revista desta semana (29.7.15) é um lixo, e um fulgurante exemplo daquilo que Arbex Jr, chamou de “jornalismo canalha”.

            A matéria de capa, que se diz EXCLUSIVA, estampa a fotografia do ex-presidente Lula da Silva com a seguinte manchete: A VEZ DELE. Essa matéria, em que a revista Veja faz campanha pela condenação de Lula na operação Lava Jato, não tem nada de jornalismo, é pura propaganda enganosa. Trata de matéria velha e claramente requentada, que a opinião pública está cansada de saber. Denuncia mais uma vez (1) as receitas do Instituto Lula que a revista pretende criminalizar, (2) recorda e fantasiosos negócios milionários do filho de Lula, (3) levanta as eternas suspeitas sobre despesas pessoais do ex-presidente, e (4) difama-o pelas supostas influências que uma insinuada “amante de Lula” teria exercido dentro de seu governo.

             Como é que uma revista séria pode publicar boatos, mentiras, fofocas, difamações, e um punhado de notícias antigas e surradas, já suficientemente esclarecidas e desmentidas, umas que até lhe valeram condenações judiciais no Tribunal de Justiça de São Paulo e no Tribunal Superior Eleitoral, e ainda por cima chamar todo esse lixo de “matéria EXCLUSIVA”?

             A única coisa que tem de EXCLUSIVA nessa matéria de capa da revista Veja é o fato de que só mesmo ela, EXCLUSIVAMENTE, tem coragem de produzir uma reportagem de tão baixa qualidade. O “furo” que a revista imagina, sem citar indícios nem fontes, é o patético exercício de adivinhação sobre uma delação premiada que o empresário Léo Pinheiro, da construtora OAS, estaria disposto a fazer.

            Tudo se resume à SUPOSIÇÃO da revista, sem sequer identificar as fontes, sobre uma SUPOSTA delação premiada, que SUPOSTAMENTE poderia ser feita no futuro pelo empresário Léo Pinheiro, que SUPOSTAMENTE teria consentido em fazer essa delação, que SUPOSTAMENTE sabe tudo sobre a vida do Lula, que  SUPOSTAMENTE poderia vir a dizer tudo o que sabe a respeito do ex-presidente SUPOSTAMENTE envolvido em escândalos de corrupção – tanta SUPOSIÇÃO chega a ser suspeita.

             Diante de uma matéria dessas, não se trata de fazer a defesa do Lula (isso cabe a seus advogados), mas, isto sim, de defender os leitores da Veja. Seus leitores não merecem tanta desconsideração, tanta informação manipulada, tanta desinformação, tanta propaganda política rasteira, tanto desrespeito a suas inteligências, e tanta certeza de que são “inocentes midiáticos”.

            A revista Veja, cujo editorial está nas mãos de um diretor ultrarreacionário (o homem do “Boimate”, pesquisem no Google) – está se autodesqualificando como veículo de informação confiável, transformando-se num verdadeiro panfleto ridículo, cujo maior objetivo é fazer propaganda política, e não informar o povo brasileiro com responsabilidade – já até coleciona condenações judiciais por causa disso; coisa que seus leitores deveriam saber.

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