Até que enfim!

        FINALMENTE consegui concordar com as conclusões de um banqueiro! O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou textualmente em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo do último domingo (14.6.15) que o fator preponderante da inflação é “o fato de que os formadores de preços começam a aumentar seus preços”. Em seguida, no mesmo artigo, o próprio banqueiro deixou claro que isso acontece porque os “formadores de preços” (dentistas, advogados, indústrias e varejistas) aumentam seus preços, acima da meta de inflação estabelecida, “baseados na expectativa de inflação alta no futuro”.

              Pois é, simples assim. O mercado aumenta seus preços com base no medo de que os preços poderão aumentar futuramente e, portanto, no final das contas, a inflação aumenta simplesmente por causa do medo da inflação. Ou seja, os tais “formadores de preços”, por medo (ou por ganância?) aumentam o valor de suas mercadorias ou serviços, inflacionam a economia e… põem a culpa no governo.

             Se o doutor Henrique Meirelles tem razão – e desta vez me parece que tem -, caberia perguntar-lhe: quem é que espalhou o “medo” malhando a política macroeconômica do Brasil, desde o começo da campanha eleitoral do ano passado, quando a inflação estava controlada na casa dos 4,5%? Quem é que gerou esse “medo” ou “expectativa de inflação alta no futuro”? Quem é que enfiou na cabeça dos “formadores de preços” o “medo” de que a inflação sairia do controle?

              O doutor Henrique Meirelles, que identificou tão bem as causas da inflação, não pode responder a essas questões. E não pode fazê-lo porque é um banqueiro, pois os banqueiros não podem admitir que fizeram de tudo, por meio da mídia, para desacreditar a economia brasileira e para disseminar o pessimismo econômico, com o único objetivo de derrotar a presidenta Dilma Rousseff na última eleição presidencial.

                É isso mesmo, companheiro. No começo da campanha eleitoral de 2014 não havia nenhuma inflação fora da meta, não havia nenhuma ameaça recessiva, e o desemprego estava em níveis de primeiro mundo, o país tinha US 380 bilhões de dólares em reservas internacionais, o superávit primário estava mantido e, portanto, não havia nenhuma catástrofe econômica no horizonte, ameaçando o Brasil.

           Mas, os inescrupulosos propagandistas da direita e dos banqueiros esconderam esses números reais e apostaram na desgraça, alardeando as tais “expectativas inflacionárias” que, segundo o doutor Henrique Meirelles, fazem os “formadores de preços” aumentar seus preços sem outro motivo que não o “medo”. É claro que essa propaganda negativa acabou gerando a inflação que atingiu os 8% atuais, e que precisa crescer ainda mais para detonar de vez a política econômica do governo federal.

            A “mídia do apocalipse”, que aderiu descaradamente a essa estratégia do “quanto pior melhor”, continua insuflando todos os dias as “expectativas inflacionárias” apontadas pelo doutor Henrique Meirelles. Os “mensageiros do caos” já estão puxando a taxa futura da inflação para 9%, já estão anunciando o desemprego crescente e a recessão econômica – sempre com o indisfarçável objetivo de espalhar o pessimismo na economia brasileira, até às portas da próxima eleição presidencial.

            Uma pesquisa do Ibope – que os “donos da opinião pública” esconderam de você e que a revista Carta Capital publica nesta semana – revelou que há uma enorme influência da mídia sobre o “sentimento de pessimismo dos brasileiros”. E, para surpresa dos “entendidos” e “desentendidos”, revelou também que 41% da população brasileira consideram que a mídia apresenta a situação econômica do Brasil de maneira muito pior do que ela realmente é.

         Dessa forma, parece que o doutor Henrique Meirelles tem mesmo razão: a mídia nativa cria o pessimismo espalhando o “terror econômico”, gera o tal medo da “inflação alta no futuro”, estimula os “formadores de preços” a aumentar seus preços e… pronto; está aí na sua porta (e nas suas contas) o tão temido “processo inflacionário” – tudo como disse o banqueiro Henrique Meirelles.

            E convenhamos, nos últimos tempos tem sido muito raro ver alguém da direita (e tão entendido como esse banqueiro) admitir que a inflação pode ser criada artificialmente, por simples temor ou pessimismo. E se a inflação pode ser criada artificialmente, por motivos psicológicos alheios à economia propriamente dita, então ela pode ser criada inclusive com fins eleitoreiros.

          Por incrível que pareça, até que enfim um banqueiro nos ensina também que o melhor remédio pra combater a inflação não é elevar os juros, privatizar empresas públicas, nem adotar medidas recessivas; o melhor a fazer, isto sim, é acabar com o injustificável monopólio da “mídia cassandra” (ou “urubóloga”, como diz um certo jornalista) que só sabe espalhar desgraça e notícia ruim; e tudo para desestabilizar a economia e o governo.

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