O pacote da traição

         A MÍDIA empresarial e os adversários de Dilma Rousseff fizeram um grande estardalhaço quando ela, reeleita, nomeou Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Diziam que a presidenta teria traído seus eleitores, pois fez campanha prometendo a ampliação dos direitos e programas sociais, porém, nomeou um representante do neoliberalismo para dirigir a economia brasileira, e fazer reajustes que implicam cortes de direitos e benefícios da classe pobre e trabalhadora.

          Por outro lado, o partido do adversário de Dilma Rousseff, nas últimas eleições, passou a campanha inteira dizendo que era preciso fazer um reajuste fiscal, cortar gastos e tomar “medidas amargas” (Aécio Neves) para endireitar a economia do país. Todavia, quando o tal pacote de reajustes é apresentado pelo governo ao Congresso Nacional, com as tais “medidas amargas”, para surpresa geral da nação, o PSDB vota contra e, com isso, nega tudo o que seu candidato Aécio Neves pregara durante a última campanha.

            Desse modo, penso que os eleitores do PSDB, que acreditaram tanto nas propostas neoliberais do candidato Aécio Neves, também se sentiram traídos pelo partido que se opôs no Congresso às medidas econômicas que esse candidato peessedebista defendia em campanha – para corrigir os rumos da economia brasileira que, segundo ele e seu guru financeiro Armínio Fraga, estava completamente destroçada pela gastança de Dilma Rousseff.

           De duas uma: ou o PSDB está apostando no “quanto pior melhor”, opondo-se às medidas econômicas que ele próprio considerava boas e necessárias para a economia do país; ou o candidato Aécio Neves passou a campanha inteira enganando seus eleitores, pregando exatamente o contrário do que está fazendo agora como senador no Congresso Nacional.

            Durma-se com um barulho desses! Os eleitores petistas se sentem traídos pela presidenta da república, que pregou uma coisa na campanha e fez outra no governo; e os eleitores peessedebistas agora também se consideram traídos pelo PSDB e pelo senador Aécio Neves, que votaram contra as medidas neoliberais que eles próprios defendiam na campanha eleitoral.

            Mas, sobre essa “traição tucana” a mídia burguesa e seus empregados, traindo também o público que deveriam informar, não dizem absolutamente nada, andam todos de bico bem caladinho, como se nada tivesse acontecido – traiçoeira é só a Dilma. E o eleitorado do PSDB, por sua vez, também não demonstrou nenhuma revolta com a traição praticada pelos tucanos no Congresso, e se calhar, nem se deu conta dessa manobra oportunista (politiqueira) do partido.

             O jogo político, a consolidação de uma democracia e o amadurecimento de todo um eleitorado é naturalmente algo muito complexo e cheio de contradições, sobretudo, em se tratando de um país com dimensões continentais como o Brasil, também complexo e contraditório. Nessas horas difíceis, bem que a grande imprensa brasileira poderia cumprir um papel mais decente; e bem que grande parte do nosso povo poderia abrir um pouquinho mais os olhos para não ficar vendo traição apenas e tão somente onde os intocáveis barões da mídia querem que ela seja vista!

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