A direita desesperada

             IMEDIATAMENTE a vitória de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais, a direita tradicional e a “nova direita” fizeram uma conta e tiraram algumas conclusões que as deixaram completamente apavoradas: os 52% de votos obtidos pela presidenta reeleita em 2014 correspondem a um “eleitorado fiel” que, certamente, votará de novo no PT em 2018, sobretudo, se o candidato for o ex-presidente Lula da Silva.

                 Se 52% dos eleitores votaram em Dilma Rousseff – mesmo com a forte campanha da mídia empresarial contra o PT, com a campanha também midiática contra a política macroeconômica da presidenta, com os ataques pessoais que retratavam a candidata como um “poste”, com as notícias do escândalo da Petrobras e com o golpe dos “vazamentos premiados” às vésperas do segundo turno das eleições – , decerto que esses mesmos 52% de eleitores votarão também em Lula da Silva: o homem que deixou a Presidência da República com o maior índice de aprovação popular desde que se começou a fazer esse tipo de pesquisa (87%), e havia se relegido com folga em meio ao “escândalo do mensalão”.

              Os partidos e grupos de direita têm feito o seguinte raciocínio: se 52% dos eleitores votaram no “poste de Lula”, certamente que também votarão no homem que “inventou e iluminou o poste”. Desse modo, o segundo turno das eleições de 2018 já estaria definido a favor do PT. E pior, estaria definido com a chance de Lula superar em muito a votação que Dilma teve no Nordeste, ultrapassando, portanto, os 52% de votos obtidos no segundo turno pela presidenta reeleita na última eleição.

          A verdade é que essas contas e previsões causaram um verdadeiro rebuliço nas hostes da direita – e ela saiu dando bote!

               É certo que nem a própria política, nem a conjuntura política, nem muito menos eleições e eleitores, se submetem à rigidez matemática dos números ou da lógica – as previsões ficam difíceis -, mas a contabilidade acima está apavorando a direita brasileira. O pavor é tanto que está levando as forças conservadoras a lançarem mão de qualquer coisa, até mesmo de um “golpe de Estado”, pra derrotar o PT e a esquerda nas próximas eleições presidenciais de 2018.

          Começou-se a falar então no impeachment da presidenta Dilma Rousseff por responsabilidade no esquema de propinas da Petrobras; falou-se em anulação das últimas eleições depois que o garotão Aécio Neves fez um patético pedido de recontagem de votos do segundo turno; e alguns mais ensandecidos chegaram até mesmo ao delírio de pedir a volta da ditadura militar.

         Assim, a estratégia agora é “acertar o passo” da Dilma com a ameaça de impeachment, levando essa ameaça até às vésperas da próxima eleição presidencial e, ao mesmo tempo, tentar envolver o Lula no escândalo do “petrolão”, para “queimá-lo” perante a opinião pública. Ou, quem sabe, até torná-lo inelegível em 2018. Trata-se de uma estratégia simples e descarada, bem típica dos desesperados (ou despreparados), isto é, “já que não dá pra ganhar no voto, então vai na base do golpe mesmo”.

           Portanto, podem conferir, doravante a grande mídia partidária (obviamente de direita) vai bater todos os dias, sem piedade nem trégua, na presidenta Dilma, no Partido dos Trabalhadores e no futuro candidato do PT à presidência da república. E o grande trunfo é mesmo o “escândalo do petrolão”. Tanto é verdade que a Rede Globo, segundo o jornalista Luís Nassif, vetou a exibição de qualquer matéria jornalística que pudesse envolver o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no escândalo da Petrobras – é só o PT.

              Por essa razão, quando o senhor Pedro Barusco declarou na operação Lava Jato que as propinas na petroleira começaram em 1997, sob o governo do ex-presidente tucano, os donos da Rede Globo imediatamente proibiram seus jovens repórteres de “repercutirem” a matéria junto ao intocável Fernando Henrique Cardoso, para não “colar” o escândalo do “petrolão” no “príncipe da privataria”. Ou alguém viu o “hierarca tucano” falando alguma coisa na Rede Globo de televisão sobre as graves declarações que o comprometem, feitas pelo delator Pedro Barusco?

            A direita está enlouquecida, e a mídia reacionária vai dizer tudo para o povo brasileiro sobre o caso “petrolão”, menos o fato eloquente de que o atual esquema de propina na Petrobras começou em 1997, e foi “legalizado” pelo Decreto nº 2.745/98, editado por Fernando Henrique Cardoso, que instituiu o PROCEDIMENTO LICITATÓRIO SIMPLIFICADO DA PETROBRAS e facilitou muito a vida dos “agenciadores de contratos” e pagadores de propinas dentro da petroleira nacional.

            A oposição ao governo e o antipetismo já estão em franca campanha eleitoral através da mídia partidária. É ingenuidade supor que a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa apenas 45 dias antes das eleições, como mandam o TSE e a legislação pertinente. A campanha da oposição já começou, e começou no dia seguinte ao da apuração do segundo turno, como se fosse uma campanha ininterrupta, cotidiana, feita sem nenhum disfarce pela mídia conservadora.

          Assim, tal como se diz lá na minha terra, tudo indica que o Partido dos Trabalhadores (PT) deve mesmo é “engrossar o couro, morder o freio e aguentar firme” porque vem muito “chumbo grosso” por aí – e vem de todo lado, companheiro.

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