Cadê o risco-Brasil?

          ANTES de o Lula chegar à Presidência da República, os economistas da direita viviam dizendo que a eleição de um candidato de esquerda, com o histórico do candidato do PT, iria elevar o chamado risco-Brasil. A elevação desse “risco”, diziam os economistas com aquele conhecido ar de ciência que costumam exibir, poderia inviabilizar novos investimentos financeiros no país, e até mesmo afugentar os investidores estrangeiros que ainda andavam por aqui, com os seus negócios e suas finanças.

         Esse tal risco-Brasil era um terror. Sempre que alguma agência de auditoria ameaçava rebaixar a credibilidade do país, era um deus nos acuda. Os economistas se benziam só de pensar no perigo que a eleição do Lula poderia representar para a economia e para o nosso crescimento econômico. A mídia conservadora não passava um dia sequer sem alardear esse perigo, e a chamada “opinião pública”, manipulada por essa mídia, já andava discutindo o famoso risco-Brasil na rua, nas escolas, nos lares e nos bares…

           (Ouve até um grande empresário, que foi presidente da Fiesp, o senhor Mario Amato, que jurava de pé junto que a eventual chegada de Lula ao Palácio do Planalto faria com que o Brasil, da noite pro dia, perdesse mais de 800 mil empresários e investidores, que deixariam o país pra irem não sei pra onde. Pura cascata. O então presidente da Fiesp apregoava essa bobagem por aí para quem quisesse ouvir – ainda bem que muito pouca gente lhe deu ouvidos)

          Pois bem… Depois de duas eleições e dois mandatos consecutivos, depois do extraordinário desempenho do Governo Lula na área social, política, econômica, e, inclusive, no campo da política externa, com a popularidade do presidente explodindo acima dos 85% ao final de seus governos, nunca mais se ouviu falar naquela ameaça catastrófica que os cientistas e os doutores deste país tanto temiam. De fato: cadê o risco-Brasil?

               Não sei qual foi a fórmula utilizada, mas no período governado por Lula da Silva, o país teve um crescimento estrondoso – quintuplicou seu PIB (passou de “míseros” U$ 500 bilhões para 2,5 trilhões de dólares; aumentou em 1.000% suas reservas internacionais; controlou a inflação; reduziu a dívida pública; expandiu investimentos na área social; exportou e recebeu investimentos externos como nunca – não é à toa que a economia brasileira deixou o posto de 12ª economia do mundo para assumir a 7ª colocação nesse ranking.

               Não bastasse tudo isso, o Brasil equacionou sua dívida externa com o FMI e nunca mais foi objeto de auditorias por parte desse fundo, nem das famosas agências avaliadoras de risco que sempre estiveram a serviço do capital financeiro internacional, procurando tutelar a economia brasileira, como se nós não fôssemos capazes de definir nossas políticas econômicas (micro e macro), nossos investimentos e riscos, e nossas estratégias de crescimento.

             Não vi mais aquelas agências picaretas de avaliação de risco rondando o Brasil; e nem as famosas delegações do FMI que desembarcavam aqui todo ano, com pompas e circunstâncias pra dizer pra nós quanto,como e onde deveríamos gastar o nosso dinheiro público, sempre de olho no cobiçado superavit primário que faz a festa do capital financeiro e dos fundos-abutres; como esses que recentemente quebraram a economia argentina com a ajuda da justiça norte-americana.

              Como não sou economista, não sei o que aconteceu, nem o que o Lula fez pra botar essa gente toda pra correr. Sempre suspeitei que há muita maracutaia nessa história de avaliação de risco. Só sei que depois de dois mandatos do Lula e do PT, depois das transformações econômicas e sociais por que passamos, depois de provada a viabilidade de um projeto popular, democrático e nacionalista de desenvolvimento, parece mais do que legítimo perguntar: Cadê o tal do risco-Brasil? Virou lenda ou era mesmo picaretagem da boa?

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